O Artista



(The Artist - Dir. Michel Hazanavicius)

Uma brincadeira inusitada que deu certo. E muito. Repetindo a parceria nos dois ótimos filmes do Agente 117, o diretor Michel Hazanavicius e o ator Jean Dujardin não só criaram em O Artista uma bela homenagem ao início do cinema hollywoodiano, mas também um grande filme mudo e preto e branco, que não se limita a ser uma mera curiosidade: o roteiro apresenta uma história que funciona de forma perfeita ao formato, e ainda brinca de forma criativa com a ausência de sons diegéticos.

O Artista mostra a decadência de um ator que se recusa a trabalhar com o cinema sonoro, enquanto começa a ascensão de uma bela atriz completamente apaixonada pelo ator, e que entrou no cinema justamente com a  ajuda dele. Mesmo contando com uma trama dessas que todos sabem como vai terminar, a graça está na forma sempre criativa e adorável que o filme apresenta as situações. Para mostrar o início da paixão dos dois, por exemplo, Hazanavicius mostra o ator tendo que repetir várias vezes a mesma cena durante uma filmagem, por se distrair com a garota. 

Tecnicamente impecável, O Artista reconstrói com perfeição os estúdios da época, e a direção de arte se mostra uma atração a parte, assim como os figurinos. E, como não poderia deixar de ser, o filme conta com uma trilha sonora extraordinária de Ludovic Bource, que tomou uma decisão esquisita ao incluir um trecho da trilha de Um Corpo que Cai em uma cena: não que a música não se encaixe, ou que tenha sido algo anti ético, mas quem é um elemento distrativo: nos tira do filme no exato momento em que a reconhecemos.

Com uma ótima fotografia, e uma montagem que acerta no ritmo, O Artista se revela mesmo surpreendente quando entra em seu terceiro ato, e seu tom dramático funciona maravilhosamente bem, algo que, confesso, eu não esperava. Mérito do belo roteiro, mas ainda mais de Jean Dujardin, um ator carismático, dono de um  sorriso cativante, e absurdamente seguro de sua imagem em cena, e da bela e adorável Bérénice Bejo, que acabou sendo injustamente esquecida nas premiações.

Divertido, nostálgico, criativo e poético, é perfeitamente compreensível entender o efeito que O Artista causou, ganhando prêmios por todos os festivais em que passou, e finalmente consagrando-se no Oscar. Não o considero o melhor filme entre aqueles que foram indicados, mas fico feliz com sua vitória. Afinal, quem diria que  um filme mudo e preto e branco francês que se passa em Hollywood, venceria de um filme hollywoodiano em 3D que se passa em Paris?

NOTA: 9

PS: Como curiosidade, antes dos filmes sobre o Agente 117, Hazanavicius e Dujardin já haviam trabalhado juntos nos filmes de Lucky Luke, mas nesses o diretor participou apenas como roteirista.

2 comentários:

Marcelle disse...

Depois desse comentário, mudei de ideia e o oscar foi justo. Mas Hugo tbm é foda. Mas...

Pq Os Homens QUe Não Amavam as Mulheres n foi indicado????

Tiago Lipka disse...

Provavelmente, porque não foi tão bem de bilheteria, mas merecia entrar na lista, assim como Drive e Take Shelter.

Mas Oscar é sempre assim mesmo. Triste.

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