A Mulher de Preto (2012)



(The Woman in Black - Dir. James Watkins)

Bobagem nada divertida, com boas atuações, excelente direção de arte e um roteiro decepcionante. Se os esforços narrativos de A Mulher de Preto fizessem juz a sua parte técnica, provavelmente seria um clássico. Saiu um filme ruim - mas tecnicamente admirável. Remake do filme homônimo de 1989 (que não assisti), é decepcionante que este seja o primeiro trabalho de Daniel Radcliffe após o fim da saga Harry Potter, apesar de provar a capacidade do ator em ser um protagonista.

Dirigido por James Watkins (de Sem Saída, e roteirista do fraco O Olho Que Tudo Vê), o filme consegue criar um clima interessante, especialmente na casa da tal mulher de preto, apenas para arruinar tudo com sustos baratos. Mas o mais estranho é o comportamento do protagonista: ao menor sinal de que algo está errado, ele instintivamente corre para ver o que aconteceu - algo que me lembrou do personagem de John Cusack em 1408, com uma diferença importante: em 1408, o protagonista acreditava que estava participando de uma farsa, o que justificava seu comportamento.

Além disso, o roteiro decepciona completamente quando tenta criar uma lógica para a trama, incluindo uma mãe possuída pelo filho, um corpo que deve ser encontrado, e vários outros elementos sem jamais nos fazer compreender como: 1 - os personagens chegaram a conclusão de que devem fazer aquilo, e 2 - qual a relevância daquilo dentro da história (sobre isso, repensem a trama depois da "final surpresa").

O que há de bom em A Mulher de Preto está em seus aspectos mais técnicos, em especial a fotografia belíssima, e claramente inspirada em Os Outros, em especial a sequência na névoa. A cenografia da casa da mulher é um espetáculo a parte, e o diretor faz um ótimo trabalho em mostrar os recifes que a cercam, e como eles a transformam numa espécie de ilha, de forma corretamente opressiva. E, claro, a fantástica Direção de Arte, especialmente a da casa mencionada com seus brinquedos sinistros.

Aliás, tá aí um baita sinal de que algo está errado no filme: os objetos de cena são muito mais assustadores que o filme em si.

NOTA: 3

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