Tão Forte e Tão Perto



(Extremely Loud and Incredibly Close - Dir. Stephen Daldry)

Baseado no livro de Jonathan Safran Foer, Tão Forte e Tão Perto representa outro equívoco na carreira de um grande cineasta a ser indicado ao Oscar desse ano, junto com Cavalo de Guerra de Spielberg e Os Descendentes de Alexander Payne. Diretor de obras sensíveis como O Leitor, Billy Elliott e As Horas que sempre agradaram aos membros da Academia, Stephen Daldry faz um trabalho irregular, que frequentemente apela ao melodramático, criando um filme que ainda soa episódico graças ao roteiro e a montagem.

A história da jornada de um garoto por uma misteriosa chave que encontrou no quarto do seu pai (que morreu no atentado de 11 de setembro) é interessante, e desperta a atenção sem dificuldade. Logo no início, o cineasta retrata bem a profunda ligação entre pai e filho, algo fundamental dentro da trama. É quando a tal jornada começa que o filme se perde: um conflito entre o garoto e a mãe aparece do nada no meio da história; o encontro dele com as várias pessoas parece não ter qualquer efeito sobre o garoto: quando vemos a quantidade de pessoas que ele visitou através de suas fotos, é difícil não ficar negativamente surpreso, já que não sentimos que tanto tempo se passou dentro da história.

Tão Forte e Tão Perto, porém, tem um grande trunfo: Max Von Sydow, em uma atuação absolutamente impecável (e como ele faria diferente?). A identidade "misteriosa" do tal personagem é óbvia demais, mas não importa. É incrível ver como um grande ator consegue fazer qualquer situação parecer grandiosa: reparem em seu comovente olhar de ternura quando o garoto o acorda oferecendo um suco dentro do ônibus. Um mestre legítimo do cinema.

Tom Hanks e Sandra Bullock também não fazem feio, e Bullock tem alguns de seus melhores momentos aqui, e é uma pena que o roteiro de Eric Roth a deixe em segundo plano em boa parte da trama. Zoe Caldwell (interpretando a vó) também tem um momento brilhante ao lado do garoto no primeiro ato. Infelizmente, o tom episódico do roteiro deixa atores como Jeffrey Wright, Viola Davis e John Goodman passarem em branco pela narrativa. Já Thomas Horn embora esteja bem como o protagonista, falha em dois momentos dramáticos importantíssimos na trama, em especial na briga com a mãe, quando começa a derrubar as coisas da casa de forma falsa. Não compromete no geral, mas é difícil elogiar.

Stephen Daldry tem alguns bons momentos de criatividade, em especial quando mostra a silhueta de um homem caindo remetendo as imagens do 11 de setembro em um plano de detalhe que se revela uma parte do banheiro onde está o garoto, e reparem como até mesmo a forma das janelas na casa onde eles vivem possui uma forma que remete as Torres Gêmeas, um detalhe sutil e interessante. Mas nada disso, nem a excelente fotografia ou a criativa trilha sonora (que aproveita o tamborim que o protagonista leva de forma orgânica) consegue salvar Tão Forte e Tão Perto de ser mais do que realmente é: um filme que parece mais interessado em levar o público as lágrimas em recursos artificiais do que em contar bem a sua história.

NOTA: 5

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