O Homem que Mudou o Jogo



(Moneyball - Dir. Bennett Miller)

A abertura causa estranhamento, mostra um jogo de baseball de forma emblemática - nós deveríamos saber que aquele jogo existiu e o que aconteceu nele exatamente para entrarmos melhor na história. Do jeito que ficou, só aos poucos entendemos e aí o filme funciona. Talvez por isso O Homem que Mudou o Jogo tenha sido um sucesso tão grande entre público e crítica dentro dos Estados Unidos, embora não tenha empolgado no resto do mundo.

Dirigido por Bennett Miller e com roteiro de Aaron Sorkin (A Rede Social) e Steve Zaillian (Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres), conta a história real do gerente de um pequeno time de baseball, Billy Beane que, depois de perder as principais estrelas do time para equipes muito maiores, decide testar um novo método junto com Peter Brand, um jovem formado em economia que encontrou uma nova forma de avaliar a qualidade dos jogadores através de um livro teórico e descartado no meio profissional. Assim, chamam vários jogadores rejeitados por outros times por vários motivos diferentes (um arremessa de um jeito engraçado, outro já foi pego fumando maconha, etc.), mas que apresentam resultado dentro do estádio, e o que parecia uma fórmula desastrosa, aos poucos se mostra uma verdadeira revolução no esporte.

Usando a história de Billy Beane como principal arco dramático da história (o grande acerto do roteiro), O Homem que Mudou o Jogo tem um tom um pouco mais sombrio do que deveria, especialmente na fotografia, mas é hábil ao ilustrar o que importa: o impacto da técnica aplicada pelo gerente na equipe e para a mídia e outras equipes, e a montagem de Christopher Tellefsen é inteligente ao conseguir criar boas sequências dentro dessa lógica, além de manter um excelente ritmo para a narrativa.

É uma pena que o filme deixe de lado seus coadjuvantes no último ato, especialmente o frustrado técnico interpretado por Phillip Seymour Hoffman, e alguns dos jogadores que ganham destaque no início, embora dentro da lógica do roteiro, a figura central seja Beane, é inegável que é um pouco frustrante que o arco dramático de Hatterberg se feche de forma tão distante.

Contando ainda com atuações ótimas de Brad Pitt e Jonah Hill, O Homem que Mudou o Jogo é um ótimo e surpreendente filme de esporte, e na soma de seus acertos e problemas lembra outro filme de um esporte norte americano não muito popular por aqui, Um Domingo Qualquer de Oliver Stone. Mesmo que esteja longe da qualidade  do que apresentou em sua estréia na direção, o excelente Capote, Bennett Miller já começa a mostrar um interesse em personagens obcecados em obras transgressoras. Seu estilo frio e racional  ajuda muito na obra (como a sequência em que Billy e Peter armam um esquema por telefone para conseguir um jogador), o que não atrapalha sequências mais emotivas (entre Billy e sua filha), um equilíbrio raro mesmo entre grandes diretores. O jeito é ficar de olho no sujeito.

NOTA: 8

1 comentários:

Hilton Neves disse...

Cara, seu artigo está muito bom! Uma ótima análise do todo!
Mas os Oakland Athletics não têm nada de pequeno. Eles são a 3ª franquia mais vencedora da MLB.
Hum... mais ou menos como se fosse o Independiente, de Avellaneda.

Abraços

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