A Pele Que Habito


(La Piel Que Habito - Dir Pedro Almódovar)

Depois de três filmes decepcionantes (dos quais, apenas Volver se salva), Pedro Almódovar volta a boa forma, mesmo ainda longe do que fez em Carne Trêmula, Tudo Sobre Minha Mãe e Fale Com Ela, ainda seus três melhores trabalhos. Voltando a parceria com Antonio Banderas vinte e um anos depois de seus último filme juntos (Ata-me), Almódovar lança este A Pele Que Habito, que possui o clima habitual de meio-suspense-meio-cartunesco-meio-novelesco-meio-sem-vergonha que conhecemos do diretor.

Banderas interpreta Robert Ledgard, um cirurgião plástico especializado em transplantes faciais, que desenvolve uma pele sintética para vítimas de queimaduras. Tudo certo até que descobrimos que ele mantém uma mulher em cativeiro em sua casa como cobaia para seus experimentos. E no que parece inicialmente uma versão  Nip/Tuck de Frankenstein, o filme se desenvolve ao mostrar revelações sempre surpreendentes no passado de seus personagens.

O primeiro ato é arrebatador, inteligente e divertido em seu clima sacana. O grande problema é que depois disso, o ritmo se perde, jamais volta a boa forma de seus início, mesmo que o roteiro não decepcione e seja coerente com sua estrutura e reviravoltas. Além disso, ao repensar a história, é estranho perceber que a trama foi apresentada de uma maneira muito mais complexa do que o necessário, e embora isso possa ter sido um artifício de distração no sentido de desviar nossa atenção do que realmente deveríamos estar vendo (o que é válido), ao mesmo tempo não encontro justificativas para várias revelações feitas no primeiro ato (especialmente o parentesco entre dois personagens).

Mas o que é realmente admirável na história, é a seriedade absoluta na maneira em que o diretor desenvolve seus personagens, sempre com rimas visuais que salientam aspectos fascinantes, como o sexo entre "Tigre" e a cobaia , e depois com  Robert e ela. O filme ainda ganha pontos pelo melancólico desfecho, que fecha com perfeição a história, tematicamente. 

Agora, me resta torcer para que com A Pele Que Habito, Almódovar deixe de ser aclamado por tudo o que faz, para ser aclamado porque, de fato, merece.

NOTA: 7

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