Contra o Tempo



(Source Code - Dir. Duncan Jones)

Depois de sua estréia mais do que promissora em Lunar, Duncan Jones fez o certo. Jogou seguro, pegou um roteiro bom, comercial, mas com uma premissa interessante. Foi o mesmo caminho percorrido por Cristopher Nolan, por exemplo, quando realizou Insônia. Felizmente, apesar de alguns tropeços no roteiro de Ben Ripley (que é dono de uma carreira, no mínimo, duvidosa) Contra o Tempo é tenso, intrigante e inteligente de uma maneira que raramente Hollywood costuma nos presentear, especialmente no gênero ficção científica.

O filme nos apresenta ao soldado Colter Stevens que está dentro de um novo experimento do governo, que permite a ele entrar na mente de uma pessoa oito minutos antes de sua morte. No caso, ele entra na mente de um dos passageiros de um trem que explodiu num atentado terrorista. Sua missão é encontrar o culpado dentro daquele espaço de tempo, num looping alá Feitiço do Tempo, já que há ameaças de outras bombas pelo país.

Inicialmente os diálogos incomodam. Parecem saídos de uma novela, onde cada fala precisa contar toda a história dos personagens, como "Eu preciso falar com meu pai, porque desde que fui para a guerra nunca mais falei com ele...", mas depois de um tempo isso melhora. Aparentemente, foi a solução decidida pelos realizadores para manter o foco na trama sem deixar os personagens de lado. Não muito elegante, mas funciona. Da mesma maneira, os atores pouco podem fazer, a não ser não deixar a peteca cair. Só Vera Farmiga realmente tem alguns bons momentos no ato final, enquanto Jake Gyllenhaal e Michelle Monaghan tem boa química, e o romance não incomoda.

Duncan Jones conduz a trama com segurança, sendo beneficiado com uma montagem fabulosa, que aposta em raccords bem construídos nas trocas de tempo, e num ritmo cada vez mais frenético. Vale comentar que o filme conta com duas cenas absolutamente brilhantes em suas últimas cenas: a última cena no trem (apesar de ser um efeito já manjado) e, claro, os vários reflexos de dois determinados personagens.

Teoricamente, todo o terceiro ato se baseia num furo de lógica que, ainda por cima, surge como uma trapaça, já que contradiz uma informação apresentada como uma regra dentro do raciocínio da história; ao mesmo tempo, é um caminho interessante e inusitado, e no final, tudo se encaixa e faz sentido. Uma ficção científica comercial, inteligente, bem dirigida e que, pasmém, ainda tem uma trama que continua fazendo sentido quando repensada? 

Só sendo muito chato para reclamar.

NOTA: 8,5

3 comentários:

Rodrigo disse...

Lunar um otimo filme,aposto q Ducan J. odeia ser lembrado q eh filho do Bowie,mas msm assim faz ótimos trabalhos

Lucas Arakaki disse...

Bom, na verdade não há furo de roteiro, a regra apresentada não é válida. Assisti o filme há poucos dias e em breve postarei uma crítica junto à uma explicação da teoria que envolve o enredo do filme.

Júlio Pereira disse...

Não vi o filme, mas o filho do David Bowie parece uma promessa Adoro o Lunar e acho um exemplar raro na ficção científica atual. Contra o Tempo eu estou com muita vontade de ver, já que me parece um roteiro inteligente. Parabéns pela crítica!

http://www.lumi7.com.br/2011/12/um-close-up-na-setima-arte-taxi-driver.html

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