Splice - A Nova Espécie


A mais de dez anos, o diretor Vincenzo Natali lançou Cubo, um filme interessante, experimental e que deixou muita gente se perguntando no final: "Uau... mas então... e aí?". Enquanto nem eu tenho certeza se gostei ou não, ele volta a batuta com este Splice - A Nova Espécie, uma ficção científica interessante, que em seus melhores momentos, lembra a maneira como David Cronenberg discutia seus temas favoritos em seus primeiros filmes.

Um casal de cientistas, Elsa e Clive trabalham na criação de novas formas de vida através da mistura de DNA de diversas espécies, buscando assim novas vacinas, por exemplo. Escondidos, acabam misturando DNA humano ao experimento, criando um novo organismo, cujo crescimento acelerado é apenas um de seus aspectos fascinantes. Batizado de Dren, surpreende pela inteligência e vira motivo de dor de cabeça para os dois, que precisam escondê-lo a todo custo.

Apresentando a trama sem rodeios, e constantemente discutindo as questões éticas envolvidas ao experimento, Splice se mostra um filme inteligente e bem trabalhado desde o início. É claro que exige um certo esforço considerar a maneira rápida de como tudo acontece (em determinado momento, Elsa faz uma grande descoberta em apenas uma noite), mas isso não compromete o andamento da trama. 

A grande dificuldade do projeto é o desafio de trabalhar com efeitos visuais e práticos em Dren, e como os atores interagiriam com ele: para isso, provavelmente, Natali convocou dois atores excelentes, Sarah Polley e Adrien Brody que vestem bem a camisa. Graças a eles, o momento em que Dren se alimenta pela primeira vez, ou quando Clive salva (ou não) a criatura colocando-a embaixo d'água se tornam cenas tão impactantes e funcionais.

Logo, porém, Dren é interpretada por Delphine Chanéac, que impressiona graças ao belo trabalho de expressão corporal que desenvolveu para o papel. Aliás, a evolução de Dren é uma das melhores características de Splice: de seu "nascimento", passando pela adolescência, há ainda uma cena fabulosa em que ela dança com Clive, e surge em seu pé algo semelhante a um salto, marcando sua passagem para a idade adulta de forma sutil e criativa.

Se há um problema em Splice é que o diretor não consegue criar um clima correto. Quando o filme deveria ficar assustador, não consegue. E alguns momentos são feitos de forma tão apressada que ficam esquisitos, especialmente a apresentação dos cientistas para a comunidade científica: a cena é tão rápida e absurda, que eu jurava que seria um sonho de algum personagem. É também lamentável que, aos poucos, a discussão da trama se torne cada vez mais simplista em seus argumentos (mesmo com o desfecho bacana).

No final das contas, Splice - A Nova Espécie conquista pela bizarrice. E apesar de eu ter sérios problemas com alguns aspectos do filme, não posso deixar de admirar uma obra que discute a ciência sem a necessidade de "demonizá-la", como fez o Frankenstein de Kenneth Branagh, por exemplo, com quem Splice divide um aspecto temático importante e fundamental.

NOTA: 8

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