Santuário


Santuário é um filme que parece ter sido produzido somente para ajudar a popularização da tecnologia de captura em 3D que James Cameron desenvolveu para Avatar. Por um lado, é uma aventura decente, com um visual sublime, que nem necessita do 3D para ser apreciado. Por outro, sofre de um roteiro chinfrim, com personagens que mudam completamente de personalidade de acordo com as necessidades da história, em esforços artificiais e lamentáveis.

Dirigido por Alister Grierson, Santuário mostra uma expedição a uma caverna na Papua Nova Guiné. Considerado o último lugar não explorado pelo homem, o local remoto esconde um verdadeiro labirinto de grutas e rios, desafiando os profissionais a encontrarem sua saída para o oceano. É então que uma tempestade surge de repente, e acaba virando um ciclone. Um grupo fica preso em meio as cavernas que começam a ser inundadas, e sua única chance é encontrar a saída para o oceano e escapar.

O filme se concentra na relação pai e filho de Frank, o experiente explorador e Josh, seu filho rebelde que detesta cavernas, mas é obrigado pelo pai a trabalhar com ele. Para demonstrar o conflito dos dois, o roteiro faz com que Josh questione Frank a todo e qualquer momento sobre todo e qualquer assunto (algo que me fez desejar que ele fosse o primeiro a ficar pra trás). E como acreditar que durante uma situação tão desesperadora eles teriam tanto tempo para conversar sobre o passado? Não estou sendo insensível, mas se uma conversa mais delicada surgisse enquanto eu estivesse prestes a ser soterrado, talvez eu dissesse "Ok, podemos falar sobre isso depois?".

Mas o resto dos personagens não ajuda em nada: Carl, o milionário que patrocina a expedição, de um cara legal e egocêntrico, se torna um super vilão patético. Mas sua namorada irrita. Inicialmente, é uma boa moça, mas logo questiona todas as ordens de Frank, mesmo nunca tendo mergulhado na vida. É outra que poderia ter morrido mais cedo, e enchido menos o saco. Os poucos acertos do roteiro estão no início, ao mostrar o porque de Frank ser tão respeitado, e a calma controlada dos mergulhadores quando uma deles fica presa numa caverna. Mas o maior problema é que o acúmulo de diálogos da metade para o final tira toda a urgência construída para a situação durante o primeiro ato.

Mas o que realmente vale a pena em Santuário é seu visual caprichado, as belas cenas na caverna, os efeitos especiais eficientes. Mesmo que o diretor demonstre um cuidado absurdo nos planos gerais e abertos (o tanque de guerra no meio da caverna me vem a mente), mas relaxe completamente quando dirige os diálogos, se apoiando em planos/contra-planos básicos. 

Mas, no fim das contas, até valeu o ingresso - se você o pagou só para conferir o prometido visual surpreendente.

NOTA: 6

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