The Runaways - Garotas do Rock


A importância da banda The Runaways, e consequentemente da carreira solo de Joan Jett e de sua banda The Blackhearts, para o rock é indiscutível. Finalmente, o sexo feminino estava mais do que bem representado no gênero através de bandas, e não apenas cantoras. O filme The Runaways - Garotas do Rock tinha uma oportunidade e tanto para ser um novo Quase Famosos, mas o roteiro e a direção de Floria Sigismondi decepcionam.

Não conheço o trabalho da diretora, mas aposto que ela já foi diretora de videoclipes. O que não seria um problema, se ela não atrapalhasse o desenvolvimento da história com seu trabalho. David Fincher e Mark Romanek são exemplos de diretores que se destacaram com clipes, mas fugiram dos cacoetes dessa linguagem ao partir para o cinema. Floria Sigismondi está na mesma categoria que Samuel Bayer, que fez o remake de A Hora do Pesadelo. Tentou adaptar a linguagem para o cinema e se deu mal.

Reparem no arco dramático de Cherie Currie, interpretada por Dakota Fanning: no início, ela mal parece conseguir beber álcool. Poucos minutos depois, ela está dividindo drogas com as amigas e fumando, e logo depois, já está tendo overdoses. Como ela passou de um ponto para outro? A história da banda foi curta, a história das personagens poderia ter sido melhor desenvolvida. Aliás, até mesmo a maneira como a banda é montada é apressado: como aceitar que Joan Jett mal sabia tocar uma nota e, logo depois de conversar com um empresário, já é uma guitarrista competente? (Lembrem-se: a trama se passa em período curto.)

Pelo menos, o roteiro faz um bom trabalho em mostrar porque o sucesso da banda foi importante, principalmente na construção da imagem dela pelo produtor Kim Fowley, interpretado por Michael Shannon, e retratado pelo filme como um quase gênio. E fora a trilha sonora genial, que inclui The Stooges, David Bowie além, é claro, das The Runaways, as cenas que mostram os shows das garotas são os grandes destaques, e Dakota Fanning e Kristen Stewart dão conta do recado (especialmente a segunda, que teve que aguentar Joan Jett enchendo o saco durante as filmagens cobrando mais realismo).

A conclusão do filme também é um pouco estranha. A cena em que Cherie acaba saindo da banda (é spoiler dizer que a banda acabou?) apresenta um problema de linguagem impressionante: mantendo a câmera próxima a Stewart, vemos no fundo, Dakota Fanning saindo pela porta, e sendo ofuscada pela luz, algo que teoricamente indicaria um momento positivo para ela. Mas a partir dali, sua personagem caiu nas drogas, e levou anos para se recuperar. (Por isso evito pescar detalhes de semi-ótica em casos assim, mas enfim...).

No final das contas, o problema da banda foi que as garotas eram muito novas e muito diferentes entre si, e pronto. As brigas mostradas ao final, que sugeriam que elas foram devoradas pelo estrelato e pela pressão não convencem, e parecem tentativas desesperadas de homenagear Joan Jett mais do que as outras integrantes. Nada contra, tem seu mérito, mas é o mesmo problema que teve o The Doors de Oliver Stone: poderia muito bem se chamar apenas Jim Morrison.

NOTA: 6

3 comentários:

Quéroul disse...

ah, eu achei tão xuxu esse filme!
amei a crepúscula, viu... achei que ela foi uma excelente Joan Jett. e a Dakota tá uma fofa também.
gosto bastante, minha nota é um pouco mais alta que a sua :)

Rafael W. disse...

Realmente, poderia ter explorado melhor as outras integrantes, e não apenas a Kristen Stewart e a Dakkota Fanning (que estão na modinha atualmente). Mas o filme vale pra quem é fã da banda (como eu, hihi), e pra quem curte um bom rock.

http://cinelupinha.blogspot.com/

annastesia disse...

É chato dizer isso, mas eu acho que vale mesmo pela trilha sonora. Stewart não está tão ruim quanto pensei e Dakota não está tão fantástica quanto esperei. Quem arrebenta mesmo é Michael Shannon. Também acho que focaram muito pouco na história da banda (que pensei ser o motivo do filme ser feito). Não se fala nada de Lita Ford (principalmente, pois teve um carreira razoável nos anos 80), Sandy West e Jackie Fox. Ficou devendo.

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