Persépolis


Persépolis é uma animação extraordinária. Consegue tratar da triste história do Irã, ao mesmo tempo em que apresenta um estudo de personagem complexo e... divertido. Assim, a decisão da Inglaterra em apoiar uma ditadura no país em troca de seu petróleo surge num divertido teatro com bonecos de papel, além de ao mostrar  uma batalha na guerra do país com o Iraque, mostra os soldados dos dois lados trocando tiros, enquanto seus corpos vão caindo na trincheira que os separa: tudo é apresentado na lógica da imaginação infantil / adolescente. da protagonista, Marjane Satrapi, que escreveu a história em quadrinhos e dirigiu a animação ao lado de Vincent Paronnaud.

A história começa com Marjane em seus 9 anos, filha de um casal que não compartilha do radicalismo religioso em vigor, e cuja família tem vários membros ativistas. Manifestando uma rebeldia natural, desde odiar usar a burca, passando pelo gosto musical (compra fitas do mercado negro de Bee Gees a Iron Maiden), ela é mandada para estudar em Viena depois da queda do Xá, quando uma longa e violenta batalha começa com o Iraque. Na Europa, a felicidade de encontrar mercados cheios de produtos e de conhecer uma nova realidade se junta a culpa por ter deixado a família para trás, criando uma imensa dificuldade para ela se adaptar ao local. 

Visualmente, Persépolis é instigante. O forte preto e branco esconde sutilezas belíssimas, como a citação brilhante ao quadro "O Grito". Utiliza traços cartunescos que reforçam o tom leve da narrativa (especialmente uma decepção amorosa da garota), mas que também serve para momentos dramaticamente eficientes, como a mão em meio a uma casa bombardeada, ou os sonhos de Marjane na infância com Deus (que culmina num dos momentos mais divertidos do filme, quando ela imagina Deus conversando com Karl Marx).

É admirável não apenas o auto-conhecimento de Marjane, que não dá tapinhas nas próprias costas e reconhece de forma inequívoca a importância de cada ato que aconteceu em sua história, e o estupro que acaba sofrendo numa rua de Viena é prova disso: o ato é simplesmente sugerido, e serve como o estopim final para sua volta ao Irã. E ao mesmo tempo, sua auto-condenação por ter feito um homem inocente ser preso é outra prova da sua enorme sinceridade e dedicação ao projeto.

Primo distante de Valsa com Bashir, Persépolis é uma animação adulta e contemporânea fabulosa. Inteligente, emocionante e encantador.

NOTA: 10

4 comentários:

Mateus Selle Denardin disse...

Assim como VALSA COM BASHIR, PERSÉPOLIS é uma joia. Utilizam-se de estéticas menos convencionais, mas de ideias nunca menos que brilhantes.

Quéroul disse...

chorei que nem sei lá o quê. o filme animado mais lindo que vi o ano passado, e lamentei pra sempre minha demora em assistir.

(do mesmo ano, o fofinho Ratatouille - que levou o Oscar - e o meu preferido toda-vida,Surf's Up)

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