O Ritual (2011)


Há uma cena impagável neste O Ritual: o protagonista Michael, um espertalhão ateu que usou a Igreja para pagar seus estudos assume o exorcismo conduzido pelo experiente Padre Lucas, perguntando ao Diabo porque ele possuiu aquela garota. "Para que você não acredite Nele". Michael responde que "Ok, mas se eu não acreditar nele... porque vou acreditar em você?". Quando o Diabo faz uma cara em que parece que irá soltar um "D'oh!" do Homer, o filme encerra a cena. 

Porque? Ora, ou foi uma falha extrema do roteirista, que encerrou uma cena sem saber como terminá-la, ou os produtores tenham ficado com medo "fomos longe demais nesse tema, vamos voltar a fingir que tudo foi baseado em fatos reais e acabar logo". De qualquer forma, um fracasso retumbante do Diabo como esse, para o bem ou para o mal, deveria ser mais explorado. Aliás, quer uma prova maior de que O Ritual não foi baseado em fatos reais? Observem a legenda nos créditos iniciais: o filme não foi "baseado" no livro, e sim "sugerido". Hum-hum (não é a toa que a visão do Diabo é uma mula).

Desonestidades e problemas a parte, o fato é que O Ritual é até decente. Utiliza a mesma informação que também guiou O Último Exorcismo como premissa: o exército de exorcistas criado pela Igreja Católica. Mas enquanto o primeiro buscava criticar a postura, O Ritual a abraça sem questionar. Sim, aqui e ali, há momentos em que o exorcismo é questionado, especialmente numa bela troca de diálogos entre Michael e o instrutor, quando o primeiro cria uma lógica envolvendo um homem que diz estar possuído e outro que foi abduzido por alienígenas. Mas é claro que todas as discussões e argumentos vão por água abaixo quando o nome do tal Diabo é proclamado e... BUH! Acaba a luz no Vaticano (o que, devo presumir, ser um problema frequente?)

Mais do que qualquer coisa, O Ritual prova o talento de Mike Hafström, um bom diretor com sérios problemas na hora de escolher seus projetos (apesar de eu ter gostado bastante de 1408, dizer o que de Fora de Rumo, por exemplo?). Anthony Hopkins faz o Padre Lucas, o padre rebelde, que faz as coisas do seu jeito, daqueles que chama o cão na chincha... a construção de seu personagem é uma piada pronta, desculpem (e como diabos se escreve chincha?). Fora ele, Rutger Hauer e Toby Jones fazem boas pontas, Alice Braga ajuda a melhorar sua personagem má-desenvolvida e Colin O'Donoghue se esforça, tem bons momentos, mas é fraco demais para ser protagonista.

De um filme que começa bem, inicialmente equilibrando bem sua visão realista sobre exorcismos (mesmo quando pendia para o ridículo), depois da metade, e especialmente no ato final, vira uma piada: a prova disso são as cenas finais de Hopkins: é o exorcismo mais divertido que já vi. 

Pena que não era exatamente o que eu deveria sentir a respeito da cena...

NOTA: 5

PS: Sobre o tema Exorcismos, recomendo a leitura deste post no blog do grande Carlos Orsi.

1 comentários:

Quéroul disse...

mas que filminho satânico, afe.
horrível. mas como eu não esperava nada dele, quase não odiei (odiei sim o público que dividiu a sala do cinema comigo - porque claro que eu fiz o favor de ver este filme no cinema...).
Anthony Hopkins é um vovô fofo, mas há tempos eu tenho me cansado dele sempre no piloto automático. acho que tem momentos nesse filme que ele até resolve mostrar alguma interpretação, mas até ele sabe que não precisa muito e pára com qualquer esforço.
Alice Braga faz uma personagem nula e desnecessária. não entendo até hoje o porquê dela estar lá. e no meio de tantos pontos negativos, acho que o ator que faz o padre novinho é até melhor do que você julgou.
mas nada é suficiente pra fazer esse filme um algo mais do que podre. sai pra lá coisa ruim!

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