O Retrato de Dorian Gray (2009)


A clássica história de Dorian Gray de Oscar Wilde já foi adaptada inúmeras vezes ao cinema. No entanto, apenas uma versão está realmente a altura do clássico: O Retrato de Dorian Gray de 1945, que contava com uma atuação inesquecível de George Sanders, além de realizar truques visuais interessantíssimos quanto a pintura de Dorian. Depois de diversas outras versões fracas (incluindo uma em que Dorian Gray era uma mulher), surgiu em 2009 (e chega só agora no Brasil) este O Retrato de Dorian Gray que apesar de não ser um completo desastre, é insosso, e perde feio até mesmo na comparação da parte visual com o clássico de 1945.

A história é a mesma: Dorian Gray é um belo jovem que depois de chegar em Londres, fica obcecado com a idéia de que será lembrado para sempre pela pintura feita pelo seu amigo. E isto realmente acaba acontecendo: Dorian vai se mantendo jovem, enquanto a pintura vai envelhecendo. Porém, de bom rapaz, ele vai se transformando quase nua marionete de Henry Wotton, um ricaço bon vivant, que apresenta as bebidas, as drogas e a luxúria ao rapaz.

O filme já começa errado: sem clima, o diretor Oliver Parker apressa todo o primeiro ato, como se não estivesse realmente afim de contar aquela história. Está interessado é em brincar com os fracos efeitos visuais, e criar um tom que, na tentativa de parecer um suspense psicológico, acaba lembrando um filme de terror barato. Enquanto ainda estamos conhecendo os personagens, Dorian Gray já passou de jovem simples a vaidoso e bebum. Não há qualquer impacto quanto as decisões e mudanças trágicas que envolvem a história.

Costumo defender os os diretores quando o elenco está uniformemente bem: o trabalho de Tom Hooper no visual de O Discurso do Rei pode ter sido fraco, mas seu trabalho com o elenco foi fundamental. Não adianta dizer que foram os atores que salvaram o filme: sem a mão do diretor para trabalhar com eles, isso é uma lenda fajuta, e O Retrato de Dorian Gray é uma prova gritante disso: Ben Barnes nunca foi um ator muito bom, mas aqui está péssimo (mesmo que parte da culpa seja do roteiro), e Colin Firth e Ben Chaplin, dois atores excelentes estão tão ruins quanto. Só diretores ruins e medíocres conseguem fazer isso.

Mas o mais curioso é que a história é tão boa, que o filme não consegue estragá-la. Há ainda outro defeito, e este mais grave que todos os outros, que é a forma como o diretor criou uma fábula moralista em cima. Há um tom de condenação novelesco em cima do protagonista e Henry Wotton que é aceitável em obras mais antigas: num filme feito em 2009, não dá para aguentar. Logo, os exageros se tornam risíveis. E de alguma forma, o fato é que O Retrato de Dorian Gray ao menos respeita os diálogos originais em alguns momentos, e tem um ritmo decente, graças a uma montagem que, aqui e acolá, está inspirada. Dá para assisti-lo sem passar muita raiva - esse é o melhor elogio que posso fazer.

NOTA: 4

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