O Grande Lebowski


O filme mais cultuado de Joel e Ethan Coen. Está longe de ser o melhor, mas sua galeria de personagens é tão fascinante que dá para entender o porque. O Grande Lebowski apresenta o que a dupla tem de melhor: o desenvolvimento e estudo de seus personagens, com a sua trama sendo apenas uma base secundária. O problema é que a história é mais complicada do que deveria, e em alguns momentos, a dupla perde o controle da obra. Mas quando se concentra em sua galeria bizarra de personagens, aí o filme encontra a sua razão de ser.

Jeff Lebowski, ou The Dude, como prefere ser chamado, é um hippie cinquentão que passa seus dias fumando maconha e jogando boliche. Confundido com outro Jeff Lebowski, um empresário milionário cuja esposa está devendo grana para criminosos, ele tem sua casa invadida e um dos bandidos mija no tapete "que dava harmonia para o ambiente". Aconselhado por seu amigo Walter, ele vai até o empresário para pedir uma indenização pelo tapete. Porém, acaba se envolvendo no sequestro da esposa do grande Lebowski, e seus sequestradores "niilistas".

O filme já conquista o público no início, quando o narrador se perde no raciocínio do que está contando, além de repetir constantemente a mesma frase (e sua interação com The Dude no decorrer da história é divertidíssima). E a atuação sublime de Jeff Bridges como The Dude, papel que marcou sua carreira definitivamente, é sempre um show a parte. Mas é injustiça conferir toda a qualidade do filme ao Dude: John Goodman faz um trabalho soberbo como Walter, ex-combatente do Vietnã que nunca cansa de usar isso como argumento para toda e qualquer discussão, além de jamais deixar o pobre Donny, interpretado por Steve Buscemi, termine uma frase. E o que dizer de Jesus, o bizarro jogador de boliche latino de John Turturro

Por outro lado, a trama policial complexa não funciona tão bem. Sim, é divertido observar como personagens tão excêntricos lidam com a situação (o pagamento do resgate é impagável), mas conforme o filme avança e a situação se complica cada vez mais, a brincadeira perde um pouco da graça, só retomando bem os eixos depois da cena que envolve a morte de um personagem importante, e a desastrosa cerimônia de despedida dos amigos. 

A direção da dupla (mesmo que na época, apenas Joel assinasse na direção), como sempre é surpreendente, desde a maneira econômica de como apresenta o protagonista e a trama em poucos minutos, até o sempre inspirado roteiro e seus diálogos. É uma pena que, em dois momentos importantes, a dupla apele para duas cenas de sonho que, apesar de divertidas e bem realizadas, tomem um tempo significativo, e não ajudem em nada a trama.

Com um desfecho típico da obra dos Coen, que frustra as expectativas normais que o público tem para a conclusão de uma história (o torneio de boliche, por exemplo, acaba nas semi-finais), O Grande Lebowski é um bom exemplo dos vários atrativos de um filme da dupla, que mesmo não conseguindo um resultado tão inspirado, tiveram as falhas compensadas pelo elenco fabuloso.

NOTA: 9

1 comentários:

Mari disse...

Como é que consegui demorar tanto pra assistir esse filme incrível????
Amei, sensacional.....e Jeff Bridges foi uma escolha perfeita para o papel!

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