Matadouro Cinco


Quando conhecemos Billy Pilgrim, ele está sozinho em casa escrevendo em sua máquina de escrever sobre sua experiência como... viajante no tempo. Em pouco tempo, ele desperta no meio da Segunda Guerra Mundial, onde é capturado por alemães. Em seguida, vai para outro planeta, com uma amante. E depois para seu casamento com Valencia, que passará a vida prometendo emagrecer, enquanto se empanturra de comida...

Sim, essa é a trama de Matadouro Cinco, filme cult inusitado, divertido e inteligente. Baseado no livro do grande Kurt Vonnegut Jr., foi dirigido por George Roy Hill, mais lembrado pelos clássicos Golpe de Mestre e Butch Cassidy. Misturando ficção científica com comédia, pode ser descrito como uma mistura de O Guia do Mochileiro das Galáxias com Te Amarei Para Sempre.

Matadouro Cinco apresenta uma metáfora brilhante sobre o tempo, e sobre nossas memórias. Há um diálogo fabuloso entre Pilgrim e um alienígena que sabe como acontecerá o fim do universo. Ele diz que um funcionário inexperiente apertará um botão errado num teste de combustíveis e, por consequência, todo o universo será extinto. Pilgrim pergunta porque eles não evitam que o funcionário aperte o tal botão, ao que ouve a resposta: "Este botão já foi apertado e sempre será apertado". Há também uma curiosa comparação com a maneira como guardamos nossas memórias, seja sempre com eventos positivos ou negativos.

O humor da obra é sensacional: da maneira como Pilgrim passa pela guerra usando um casaco feminino e botas de um dançarino inglês, passando pela estrutura de sitcom que assume depois que ele vai para outro planeta, junto com a divertida atriz pornô interpretada por Valerie Perrine. Há também momentos mais dramáticos, mas infelizmente poucos funcionam. A morte de uma figura paterna que surge para Billy na Alemanha é mostrada de forma particularmente decepcionante. Por outro lado, a cena em que Valencia descobre sobre o acidente que Billy sofreu e sai desesperada com o carro pelas ruas é fabulosa, e um show de interpretação de Sharon Gans.

E por falar em interpretação, outro problema sério é o trabalho de Michael Sacks como o protagonista, que atravessa a trama sem estabelecer qualquer característica marcante ao personagem, ou demonstrar qualquer carisma. Já Ron Leibman que faz Paul Lazzaro, e Valerie Perrine são os mais divertidos e inesquecíveis da história toda. A montagem é fabulosa e cria sequências criativas como o acidente de avião, que acaba misturando passado, presente e futuro, ou o ato final, que não me atrevo a revelar.

No final das contas, Matadouro Cinco se destaca pela imensa criatividade, e pelo senso de humor bizarro que atravessa toda a trama. Não é perfeito, e algumas passagens de época não acabam funcionando tão bem, e outras cenas são longas demais, como a caminhada dos americanos para o matadouro. Mas vale muito a pena descobrir essa pequena pérola do cinema dos anos 70.

NOTA: 8,5

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