Lua de Fel


Roman Polanski resolveu brincar que estava fazendo uma nova versão de Emmanuelle. Só pode. A trilha sonora sem vergonha, as transições para os flashbacks típicas de soft-porn, e claro, a nudez e sexo. A bem da verdade, tanta safadeza diverte, há momentos irresistíveis e inesquecíveis: como não lembrar de Emmanuelle Seigner derramando leite no corpo, ou seu striptease?

Lua de Fel mostra um casal britânico durante a viagem de navio para a Índia em comemoração aos sete anos de casamento. Lá, acabam conhecendo Mimi e Oscar. Mimi chama a atenção de Nigel, o britânico bonzinho. Oscar percebe e começa a contar a história de seu conturbado relacionamento com a garota, quase como se preparasse Nigel para ter um caso com ela.

O primeiro ato do filme é ótimo, divertido, sacana. Tudo funciona bem: Polanski parece estar de bom humor e afim mesmo de contar a história, e os atores funcionam bem em cada papel. É depois da metade, quando a história muda de tom que Lua de Fel se perde. A partir daí, defeitos que podiam ser ignorados, começam a incomodar, e até mesmo Polanski, diretor de pulso firme, parece ter se perdido completamente (algo que também aconteceu com O Último Portal).

Peter Coyote está bem quando Oscar tem que parecer apenas um sujeito chato e arrogante. Quando o filme exige uma mudança mais dramática, fica patético, seu sofrimento é quase risível. Hugh Grant está bem, faz o cara bacana de sempre, sem nenhuma grande cena, enquanto Kristin Scott Thomas é a única que realmente cresce com a trama. Começa sem sal, e termina grandiosa. E Emmanuelle Seigner, uma atriz limitadíssima e esposa de Polanski, aqui tem um grande papel, embora erre em um over-acting e outro (Seigner só acertou mesmo na sua bela participação em O Escafandro e a Borboleta). 

Salvo pelo desfecho, Lua de Fel apresenta problemas quando se leva a sério demais. Perde o tom, e fica esquisito. Não dá pra saber se Polanski estava fazendo um humor negro que passou do ponto, ou se ele estava realmente encantado com seus personagens e errou a mão. No começo, o humor negro é claro e equilibrado, especialmente o diálogo entre o casal britânico e o indiano que acaba com toda a mística do seu país em poucos minutos.

Mais ou menos, como Polanski acaba fazendo aqui no meio da brincadeira.

NOTA: 7

2 comentários:

Quéroul disse...

taí um filme que me lembro muito pouco, mas toda vez que vejo referências, torço o nariz...
sei que não gostei nada, apesar de, pra sempre, lembrar da Emmanuelle Seigner, que eu achei lindíssima demais.

dos Polanskis que vi, o mais esquecível.

annastesia disse...

Acho que estava fazendo humor negro e encantado ao mesmo tempo. Gosto do filme mas não é um dos meus favoritos de Polanski.

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