Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles


Na minha opinião, existem quatro categorias de filmes ruins:

1ª - A de filmes ruins que eu realmente lamento por serem ruins, seja pelo diretor, atores, história, temática ou qualquer coisa do tipo. Exemplos: O Curioso Caso de Benjamin Button, Quem Quer Ser um Milionário?, Lope, Restrepo...

2ª - A de filmes ruins suportáveis. Eu sei e reconhecço o que é ruim no filme, mas seja porque o ritmo dele é aceitável, e a história não se alonga, ao menos, não há a sensação de frustração extrema. Só uma frustração que passa depois de alguns minutos. Ex: Pandorum, Demônio, Legião, Caça as Bruxas...

3ª - A de filmes tão ruins, mas tão ruins, que ficam divertidos, causando risadas involuntárias a todo momento. Ex: Motoqueiro Fantasma, The Spirit, Ninja Assassino, Velocidade Máxima 2, Anaconda...

E a quarta categoria: a dos filmes que fazem a gente se arrepender um pouco de ter nascido, pago ingresso e ter ido ao cinema. Filmes que fazem a gente pensar que teria sido melhor ter ficado em casa e assistido a alguma novela. Não há nada de engraçado, mesmo que a gente se esforce em procurar. Fim dos Tempos, A Reconquista, Falcão Negro em Perigo, Caçador de Recompensas, Um Olhar do Paraíso, Skyline - A Invasão são alguns exemplos, assim como o mais recente membro do clube: Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles.

Basicamente, alienígenas vem a terra para nos matar pela água. Nada de errado com a simplicidade da trama. Os problemas são outros. E muito piores. Para começar, o visual tenta remeter claramente a Distrito 9. Em comparação, faz O Ultimato Bourne parecer um filme de Stanley Kubrick. A câmera na mão, parece ter sido feita por chimpanzés sem treinamento. Não entendo porque tanto esmero nos efeitos especiais (que são, na maioria, excelentes) se não podemos enxergar direito o que está na tela.

O diretor Jonathan Liebesman já deveria ter sido proibido de exercer a função depois de No Cair da Noite e O Massacre da Serra Elétrica - O Início, e aqui volta a mostrar sua impressionante incompetência. Não há um enquadramento sequer digno de nota durante todo o filme. As cenas aéreas que revelam a extensão da destruição da cidade são os mais bacanas, mas é aquela coisa: duram cinco segundos ou menos. Mas talvez o ápice da incompetência da história esteja no terceiro ato, quando os militares invadem uma base subterrânea durante a noite, e poucos minutos depois, quando saem já é dia. Inútil falar algo sobre elenco, a não ser lamentar as participações de Aaron Eckhart e Michael Peña. E Michelle Rodriguez parece estar construindo sua carreira como uma piada interna para Hollywood (vejam as recentes entrevistas com piadas de mal gosto sobre sua sexualidade).

E o que dizer do roteiro? Resumindo toda a trama em poucas missões (primeiro daqui até ali; pegam os civis e vão pra lá; depois pra lá...), nunca é possível entender porque reuperar Los Angeles é tão importante (Ei, é só o mote inteiro para a história, why bother?). Em grande parte, os diálogos se resumem a Avante - Recuar - Atirem - Cessar fogo e coisas do tipo. Mas destaco dois momentos particularmente desastrosos: depois da morte de um personagem, Aaron Eckhart vai consolar o filho dele soltando um inacreditável "Eu preciso que você seja meu pequeno fuzileiro"; ou quando Michelle Rodriguez acerta um alienígena, que libera uma gosma na sua cara, ao que o sujeito ao lado manda a piadinha "Uau, você deixou ele fazer no primeiro encontro!"

Poucas vezes sai de um filme tão desanimado com a vida. Durante a duração de uma hora e cinquenta minutos , que pareceram umas dez horas, creio ter sentido meu corpo lentamente envelhecendo, acompanhado o fluxo de sangue no meu corpo, além de sentir meu cabelo crescendo. Tudo isso foi mais interessante do que mais um filme que mostra que, mesmo que um mal terrível ameace nosso extermínio, graças a Deus, os fuzileiros americanos estarão prontos para nos salvar.

Bléh.

NOTA: 0

4 comentários:

Ritter Fan disse...

Tiago, suas categorias são perfeitas. Não vi Batalha de Los Angeles e esse ficará sem ser visto. Por trama de alienígena invadindo a terra, fico com Independence Day...

Tiago Lipka disse...

Em comparação com este, Independence Day é quase O Poderoso Chefão...

Ritter Fan disse...

He, he. Foi o que imaginei.

annastesia disse...

Quando um filme é ruim desde o trailer... eu só tenho uma coisa a dizer: tosqueira!

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