Homens e Deuses


Homens e Deuses conta a história real de um grupo de oito monges franceses que vivem num mosteiro ao norte da África, convivendo em harmonia com a população muçulmana (aliás, a cidade só se formou graças ao mosteiro). Depois que um grupo terrorista começa a assustar pela violência de suas ações contra estrangeiros naquele território, começa uma pressão para que os monges retornem a França, decisão que o lider deles se recusa a obedecer.

O filme começa bem, apresentando seus personagens e a situação de forma discreta. Em poucos minutos, já compreendemos não só a situação dos monges, como também sua relação com a cidade e seus habitantes. O problema começa no segundo ato, que ao se concentrar nas dúvidas de cada um dos membros do grupo se devem partir ou não, se torna enfadonho e repetitivo. Não que a dúvida seja necessariamente um problema. Aliás, a maneira como essa dúvida se coloca em seus personagens, confrontando todas as suas crenças é uma dos aspectos mais positivos do longa. 

Mas dedicar uma hora inteira a isso já é demais. Ainda mais, se pensarmos que a melhor cena do filme, e que provavelmente será lembrada como uma das melhores do ano, em poucos minutos, consegue dizer mais sobre seus personagens e sua situação do que toda a hora do segundo ato. Luc, um dos monges que atende como médico da cidade, consegue vinho e uma fita com O Lago dos Cisnes. A alegria deles com esse presente recebido é comovente, e diz muito sobre o sacrifício de suas vidas, algo salientado pela música e nos closes cada vez mais fechados em seus olhos. É uma sequência mágica, que parece contar a história de todos ali. Encerraria o filme com chave de ouro. Mas não é isso que acontece, e novamente Homens e Deuses volta a se arrastar, inclusive, cometendo o erro de não se encerrar com a leitura de uma carta escrita pelo líder, revelando seu conteúdo numa cena aleatória, próxima ao final.

É uma pena que uma história tão boa caia em tanta obviedade: o nome do líder dos monges é Christian. Sutil que nem um chute nos dentes. No final das contas, chegamos até o final do filme porque nosso envolvimento com os personagens consegue superar (por pouco) o exercício tedioso aplicado pelo diretor Xavier Beauvois, que faz o filme ser mais tétrico do que deveria, repetitivo até no visual (conte quantas vezes você viu os monges rezando e cantando a mesma música). 

E confesso que ao final me surpreendi com a legenda que revelou o desfecho da história. Infelizmente, cai no mesmo erro de Lope: a legenda contou mais que o filme inteiro. Por outro lado, Lope não teve cenas tão boas quanto este Homens e Deuses, que apesar de problemático, está repleto de boas cenas isoladas.

NOTA: 6

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