Hearts of Darkness - O Apocalipse de um Cineasta


"Tinha absolutamente tudo para dar errado: o diretor perdido em drogas, o roteiro sendo alterado todos os dias numa filmagem que deveria durar alguns meses, e acabou durando dois anos, atores com egos infladíssimos num set construído num país que ainda entrou em guerra durante a produção. Acabou saindo uma obra-prima inigualável.". Assim comecei meu texto sobre Apocalypse Now Redux, e o documentário Hearts of Darkness - O Apocalipse de um Cineasta é perfeito para entender isso melhor.

Durante as filmagens, Eleanor Coppola, esposa de Francis Ford Coppola, registrou os bastidores tumultuados: o presidente das Filipinas, onde o filme foi produzido, cedeu helicópteros e equipamentos militares, mas em vários momentos enquando as câmeras estavam rodando, os helicópteros eram levados para combates (o país estava em guerra). Um tufão atrasou as filmagens em mais de três meses, e arrasou com vários sets que já estavam prontos. Martin Sheen sofreu um enfarte graças a pressão que Coppola lhe exercia. Dennis Hopper, loucaço, não conseguia decorar uma fala. E Marlon Brando, que recebeu 1 milhão de dólares por semana, enrolava o diretor e a equipe para discutir o personagem, sendo que chegou sem ler O Coração das Trevas (livro que baseou o filme), e com 140 quilos, ainda fazia Coppola quebrar a cabeça sobre como disfarçar ao máximo o peso do ator.

Apocalypse Now foi completamente financiado por Francis Ford Coppola, com o dinheiro que ganhou com os dois primeiros filmes do O Poderoso Chefão. O documentário está longe de ser um making of. É um registro sobre Coppola em sua fase mais conturbada e genial. Quem tiver curiosidade de assistir o filme esperando por bastidores convencionais ficará decepcionado. Dirigido por Fax Bahr e George Hickenlooper, O Apocalipse de um Cineasta é beneficiado não só pelas filmagens de Eleanor, mas também de registros em áudio que ela captou e entrevistas conduzidas pelos diretores.

Mais de uma vez, Coppola teve colapos nervosos, e mais de uma vez, pensou em suicídio. O desgaste físico e mental pode ser sentido não só no diretor, mas em toda a equipe. O uso pesado de drogas pelo elenco e equipe técnica em grande parte decorre disso. Há também momentos hilários, desde Marlon Brando engolindo um inseto no meio de uma cena que se tornou clássica, ou uma discussão surreal entre Coppola e Dennis Hopper. 

Não há muito a ser dito sobre o documentário, a não ser que é um complemento genial para Apocalypse Now. Os fãs do filme (que não são poucos) devem assistí-lo, para compreender como uma das badernas mais caras e irresponsáveis da história do cinema se tornou uma obra inigualável.

NOTA: 10

1 comentários:

Ritter Fan disse...

Esse documentário está sentado em minha prateleira dentro da caixa de Blu-Ray de Apocalypse Now! Tenho que arrumar o momento perfeito para assistir pois tenho certeza que acharei a mesma coisa que você.

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