Restrepo


A idéia dos documentaristas Sebastian Junger e Tim Hetherington foi interessante: acompanhar a rotina de uma tropa do exército americano no Afeganistão sem discutir política, nem nada mais. Apenas registrar o cotidiano. E seria um grande filme se os dois diretores não fossem duas topeiras, incapazes de utilizar a montagem a seu favor. Aparentemente, eles ficaram felizes só em conseguir gravar o material, já que criar alguma coisa com ele é algo que Restrepo faz em pouquíssimos momentos.

O documentário acompanha a história do pelotão responsável por proteger o vale de Korengal no Afeganistão, considerado pelo exército o local mais perigoso para as batalhas. E não é difícil entender o porque: cercado por montanhas próximas a centros armados dos talibãs, o local em que os americanos ficam é quase uma brincadeira de tiro ao alvo, tamanha a exposição das tropas. Foi só depois de algumas semanas que eles resolvem criar o posto avançado Restrepo, batizado em homenagem a um dos soldados, que morreu no início da campanha. Localizado em cima de uma montanha, o que dava uma grande vantagem para os americanos, o posto Restrepo foi o grande responsável pela sobrevivência de boa parte dos homens que acompanhamos.

Se a idéia do filme era registrar o cotidiano dos soldados, e a camaradagem que surge entre eles, o resultado é constrangedor: não apenas há poucos momentos que registrem brincadeiras entre eles, como o filme também jamais consegue apresentá-los de maneira que o público sequer lembre dos seus nomes (basta dizer que a poucos minutos do fim do documentário, ainda há soldados que não apareceram durante o filme inteiro). E o que dizer da maneira como o filme lida com o soldado Restrepo? Mostrando ele rapidamente na abertura, e dedicando menos de 5 minutos durante todo o filme para dizer algo sobre ele, os diretores ainda tem a coragem de incluir no final mais uma cena com ele, como se dissessem que o documentário era uma homenagem para ele (na verdade, é óbvio que não sabiam como terminar o filme, e fizeram o mais fácil: melodrama).

Além disso, as entrevistas não apenas dizem pouco sobre a situação, como também são mal utilizadas pelos cineastas, às vezes com resultado constrangedor: no ato final, quando o documentário se concentra numa última ofensiva, os diretores realizam a proeza de não apenas contar que a ofensiva daria errado, como também o porque de ela dar errado, estragando todo e qualquer suspense que o momento poderia passar. Mas, para ser justo, é no ato final que os poucos acertos do filme aparecem, especialmente a longa pausa antes da vermos a emboscada, ou mostrarem a maneira insistente de um afegão em mostrar uma criança ferida enquanto segue os soldados.

O que colabora para estes poucos ótimos momentos é o óbvio fato de estarmos vendo algo real. Pena que a falta de talento dos diretores quase crie um filme tão ruim e artificial quanto Falcão Negro em Perigo.

NOTA: 3

1 comentários:

Ritter Fan disse...

Você foi bem mais severo em sua crítica do que eu e eu já não havia gostado do documentário. Concordo com seus pontos e acho que Restrepo foi uma oportunidade perdida.

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