Rango


Rango é uma animação divertidíssima, perfeita para crianças. Também perfeita para adultos. Mas também perfeita para cinéfilos. E ainda mais perfeita se você for um cinéfilo viciado em westerns. Se o último for o seu caso, como é o meu, você encontrou um oásis no meio do deserto, pois Rango não é só uma animação divertida: visualmente belíssima, tem também um roteiro surpreendente, e uma homenagem mais do que bem-vinda a um dos gêneros mais importantes e queridos da história do cinema.

Johnny Depp dá voz a Rango, um camaleão criado em casa, e que durante uma viagem acaba sozinho no meio do deserto. Sofrendo uma enorme crise de identidade, enxerga no acidente uma oportunidade de se encontrar. Para isso, ele inventa uma persona típica dos filmes do Velho Oeste, capaz de matar sete com apenas uma bala (a explicação para isso é hilária). Logo, ele é eleito o xerife de Poeira, e deve resolver o problema da cidade: a falta de água.

O que é mais curioso observar nesta estréia da Industrial Light & Magic em animações, é como as citações cinematográficas são sempre usadas a favor da trama, e não apenas como mera distração, como a Dreamworks costuma MUITO fazer: portanto, se o prefeito de Poeira lembra o vilão de John Huston em Chinatown é porque ambos controlavam suas cidades da mesma maneira. Passando ainda por citações como Três Homens em Conflito, Medo e Delírio e Apocalypse Now, nada está ali a toa: tudo é orgânico a narrativa, e cumpre um papel definido e importante.

Gore Verbinski é um diretor criativo, e apesar de gostar muito do trabalho dele (especialmente em O Chamado, O Sol de Cada Manhã e, claro, os três Piratas do Caribe), sinceramente eu jamais esperaria dele um trabalho tão brilhante quanto este. Além dele, John Logan é outro que surpreende, já que em meio a toda sua carreira que inclui O Úitmo Samurai, Gladiador e muitos outros, apenas O Aviador era realmente digno de nota. E aqui ele realmente se supera, criando uma história simples, mas que mistura bem um clima divertido, típico de animações do gênero, com piadas mais adultas, como o diálogo impagável em que cada personagem descreve algo que vomitou recentemente. Visualmente, o filme impressiona desde o início, especialmente na queda do aquário de Rango, em meio a uma movimentada estrada no deserto. Parte disso, vem da consultoria de Roger Deakins na fotografia, algo que já havia beneficiado o ótimo Como Treinar o Seu Dragão.

Contando com uma participação especialíssima no final (pena que não foi dublada por... ele), Rango definitivamente é uma das animações que mais me cativou, desde Wall-e, que também homenageava outro gênero pelo qual sou apaixonado, a ficção científica. E a julgar que esta é a primeira animação da Industrial Light & Magic, mal posso esperar pelas suas futuras incursões no gênero.

NOTA: 10

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