O Bom Coração


Filme independente do tipo "ame ou odeie", sem meio-termo. Particularmente, achei bacana, divertido, com ótimas atuações de Paul Dano e Brian Cox, e uma fotografia belíssima. No fundo, não é grande coisa, mas cativa pela simplicidade. Conta a história de Jacques, dono de um bar decadente num subúrbio de Nova York. Com a saúde debilitada, principalmente pelo estado delicado de seu coração, ele procura um substituto, para cuidar de seu bar seguindo a tradição do local.

No hospital, ele conhece Lucas, um jovem que mora nas ruas, e está lá por uma tentativa de suicídio fracassada.  Jacques então, oferece moradia para Lucas desde que este se comprometa em participar do duro treinamento, que inclui fazer cafés perfeitos, e obedecer a regras específicas de conduta entre barman e clientes. Os problemas entre os dois começam quando Lucas conhece uma garota desequilibrada e a leva para morar com ele, o que desagrada Jacques.

O diretor Dagur Kári demonstra enorme afeto por seus personagens esquisitos, marginais. Jacques pode ser o cara mais mal humorado do planeta, mas é tratado como uma figura divertida, de personalidade forte, e cujo extremo machismo é quase um mecanismo de auto-defesa. Não é a toa que os melhores momentos da O Bom Coração estão na maneira como Jacques ensina Lucas sobre sua clientela, desde como observar seus trejeitos, até como se portar, conversar com eles. É uma pena que a história não se desenvolva mais em cima disso.

Paul Dano está divertido como Lucas, mas tem poucos momentos realmente inspirados, como no início ao agradecer os médicos que cuidaram dele. Já Brian Cox está brilhante, apesar da já citada tentativa do diretor em amenizar seu personagem, Cox não quer nem saber: faz de Walt de Gran Torino parecer o cara mais bacana do mundo em comparação. 

Contando com uma fotografia belíssima, muito acima da média para seu gênero e seu orçamento, O Bom Coração demonstra em seu desfecho o que realmente era: uma fábula, povoada por bêbados e miseráveis. Gostar ou não do filme depende muito de nossa relação com estas figuras.

Como ex-habitante de barecos tão bem atendidos quanto o de Jacques, fica difícil não gostar.

NOTA: 8

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