O Besouro Verde


Na sua primeira metade, O Besouro Verde apesar de alguns problemas, tem idéias divertidas e promissoras, e apresentam o que o filme tem de melhor. Infelizmente, depois disso parece esquecer que é uma sátira, levando-se a sério demais, e apesar de não resultar num desastre, é extremamente decepcionante, principalmente se levarmos em conta que o roteiro é de Evan Goldberg e Seth Rogen, que juntos fizeram os excelentes Superbad - É Hoje e Segurando as Pontas, e a direção do grande Michel Gondry.

Rogen interpreta Brit Reid, filho de um magnata da mídia que é encontrado morto. Irresponsável, o rapaz é obrigado a levar a vida sozinho, com a ajuda de Kato (Jay Chou), um leal empregado de seu pai. Depois de um ato de vandalismo, os dois acabam ajudando um casal que estava sendo atacado por vários bandidos. Decidem então utilizar a má fama conquistada na mídia para combater o crime, através do codinome Besouro Verde, o que acaba irritando Chudnofsky (Christoph Waltz), o maior bandido da cidade.

A maneira rápida como a trama acontece é divertida e funciona bem, mas o filme já abre com uma gafe estranha: para que abrir a história com um flashback da infância de Britt com o pai se, minutos depois, ele contará a mesmo história para Kato? Aliás, a relação entre ele e o pai, interpretado por Tom Wilkinson é o que há de mais decepcionante em todo o flme, já que apesar de tratado de forma divertida, perto do final se torna babaca e mal explicado.

O que faz O Besouro Verde funcionar bem é a boa química entre Seth Rogen e Jay Chou, que transforma as cenas dedicadas a Britt e Kato em momentos divertidos, como os testes da arma de gás. E olha que Seth Rogen está bacana, mas longe do talento mostrado em Ligeiramente Grávidos ou O Segurança Fora de Controle. Christoph Waltz está divertidinho, mas o roteiro não o ajuda muito (e seu vilão tinha imenso potencial, uma pena). E se Cameron Diaz e Tom Wilkinson pouco tem a fazer, James Franco e Edward Furlong surgem como ótimas surpresas em suas pontas.

Mas talvez o mais decepcionante de tudo seja a direção de Michel Gondry: longe das invencionices que marcaram sua obra, seu trabalho aqui remete a "simplicidade" de Rebobine, Por Favor, com a diferença de que aqui, em alguns momentos a impressão é que o diretor fez um trabalho preguiçoso, relaxado. Os diálogos no jornal, o momento em que acelera a imagem para deixar a cena engraçadinha ou o velho clichê da cena no espelho experimentando várias roupas são provas disso, além da duração um pouco longa demais. Gondry mostra o que O Besouro Verde poderia ter sido em poucos momentos, que são os visualmente mais criativos: das cenas de luta, em que os personagens no mesmo enquadramento se movimentam em velocidades diferentes, ao momento em que um plano-sequência começa a se dividir em vários quadros dentrodo enquadramento.

Além disso, é decepcionante que algumas das melhores idéias apresentadas no início sejam descartadas com o passar do filme: especialmente a clara vantagem de Kato em cima do companheiro, não apenas física, mas mental (já que também é praticamente o idealizador de tudo sobre o herói), ou a constante preocupação do vilão em não estar mais parecendo assustador.

No final, virou uma salada confusa. O Besouro Verde é, sim, um filme divertido, e em alguns momentos, é até inspirado. Mas no geral, a decepção é um pouco maior.

NOTA: 6

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