Em um Mundo Melhor


Depois de uma passagem nada bem-sucedida pelo cinemão norte-americano com o pastiche Coisas que Perdemos Pelo Caminho, a diretora Susanne Bier volta a mostrar seu talento neste ótimo Em um Mundo Melhor, que apesar de não ter a mesma força que o sensacional Depois do Casamento, se mostra um drama maduro, sobre personagens que soam críveis em circunstâncias difíceis.

O filme conta a história de dois pré-adolescentes e suas famílias: Elias é um garoto que sofre de bullying na escola, e sofre não apenas com a distância de seu pai (que trabalha como médico num país da África), mas principalmente pelo divórcio que seus pais enfrentam, enquanto Christian se muda com o pai para a casa da avó, depois que sua mãe morre de câncer. Culpando o pai pelo destino da mãe, e sem saber como dar vazão a seus sentimentos, ele se torna um jovem de comportamento violento e agressivo, ajudando Elias contra seus detratores, de maneira exageradamente violenta, mas claro, impressionando o amigo.

Em um Mundo Melhor merece aplausos pela maneira extremamente honesta de como encara os dilemas de seus personagens, especialmente o momento em que o pai de Elias convida as crianças para assistirem seu confronto contra um marmanjo violento. É uma cena fenomenal, complexa e que deixa claro qual o real conflito da obra: o contraste nas ações de Christian e do pai de Elias, que enfrenta uma situação difícil com um militar africano que esfaqueia mulheres grávidas por diversão.

Infelizmente, é na parte que se passa na África que surje a maior decepção da história: a maneira como se resolve a situação entre o médico e o tal militar não é só artificial, mas trai a lógica do filme: porque esconder a violência justamente naquele momento (Provavelmente para não condenarmos a atitude do médico, mas é justamente isto que a cena acaba perdendo...)? Mas talvezo maior problema seja a maneira como Christian é retratado: ele se torna um jovem violento depressa demais, sem termos qualquer idéia do porque, algo que é explicado depois, em mais um recurso infeliz e artificial do roteiro. Aliás, outra coisa que me incomodou foi a fotografia: nas cenas externas, especialmente na África ou na casa de praia da família de Elias, ela é linda, enquanto no resto do filme ela é burocrática, às vezes até desinspiradas (as cenas no hospital me vem a mente).

Mas apesar de tudo, as boas intenções do projeto são louváveis, e fazem de Em um Mundo Melhor um filme que realmente merece ser visto. O Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro podem ter sido um exagero, mas não é difícil entender porque ele venceu.

NOTA: 8

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