72 Horas


Nota: o título original de 72 Horas é The Next Three Days. Com isso, posso concluir que o pessoal que traduz os títulos para o Brasil sabe somar: agora falta noção do ridículo.

Parece que Paul Haggis tentou relaxar um pouco depois dos pesados Crash - No Limite e No Vale das Sombras, mas errou a mão. 72 Horas é um filme de um gênero que sempre chama a atenção (fuga da cadeia), travestido de drama. É bom quando consegue um equilíbrio, e é muito fraco quando pende demais para um lado e para o outro. Não é a toa que o início, quando vai apresentado a situação (mesmo que de forma apressada) é o que o filme tem de melhor.

John Brennan (Russel Crowe) é um professor MUITO bem casado com Lara (Elizabeth Banks). Seu cotidiano feliz em família com o filho acaba bruscamente quando ela é acusada de assassinato. Com o tempo, com a falha de todos os recursos e apelos, Lara é condenada e John só encontra uma saída para não perder a mulher, e acabar com o sofrimento do filho: resgatá-la da prisão.

Aí o filme se divide: em parte é daquele gênero de ação, que envolve o planejamento perfeito, para a fuga perfeita: inclui também uma conversa de John com um especialista em fugas interpretado por Liam Neeson, afinal se você quer apresentar um personagem para o público, e sem dizer mais nada quer que confiemos em suas habilidades, não há ator melhor para isso (o que não é diminuir o trabalho de Neeson, que fique claro).

Pena que depois, o filme "degringola", o drama entre John e seu pai nunca diz a que veio, bem como o relacionamento entre ele e a personagem de Olivia Wilde (que foi criado só para incluir um suspense a mais no final), e a relação entre John e Lara, tão bem trabalhada no início (especialmente o momento em que ele, sem dizer uma só palavra, já deixa claro o que irá contá-la), começa a recorrer a um drama artificial, ao invés de responder uma pergunta básica: afinal, Lara cometeu ou não o crime?

Haggis tenta disfarçar isso com uma cena péssima em que John diz que precisa dizer se cometeu ou não o crime. Bom, então Haggis quer dizer que devo confiar nos instintos do cara que, sozinho, quer resgatar sua mulher de uma penitenciária, e sem saber se ela é ou não homicida, quer colocá-la ao lado do filho? Claro que isso é respondido depois, numa cena final que beira o patético, mas meu envolvimento com os personagens sempre teve um quê de desconfiança: se John tivesse sido preso na cena da casa do traficante, por exemplo, eu acharia bastante justo.

Mas no final das contas, o pior é que 72 Horas funciona: quando deixa de ser um drama equivocado, é um filme de ação bacana, e com cenas surpreendentes (a freiada do carro, em que Lara quase cai me vem a mente). Elizabeth Banks está muito bem, e Russel Crowe é sempre um ator melhor quando interpreta um cara comum que se mete numa roubada, O Informante, por exemplo. É difícil dizer que não estava satisfeito ao final; mesmo com extrema moderação.

NOTA: 6

1 comentários:

Mateus Selle Denardin disse...

O filme tem lá suas implausibilidades, mas acho que a direção e o roteiro de Haggis conseguem momentos tão bem realizados, envolventes e tensos que acabam pesando mais sobre suas falhas. Russel Crowe está ótimo, e contribui quase completamente com a identificação do público com o protagonista. E aquele momento que você citou em que o carro freia achei que destoou na sequência, soando tão inverossímel que causou uma quebra na tensão. Felizmente a ela se seguiu o belíssimo momento em que ambos sentam ao lado do carro e esperam -- um lance genial.

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