Um Parto de Viagem


Todd Phillips é um diretor de comédias acima da média, fato fácil de perceber quando vemos Se Beber, Não Case ou Dias Incríveis. Infelizmente, seu talento não se estende a roteiros fracos, e portanto, em seu currículo também estão os fraquíssimos Caindo na Estrada ou Escola de Idiotas. Um Parto de Viagem quase fica no mesmo meio termo que outra obra sua, a versão de Starsky & Hutch com Ben Stiller e Owen Wilson, mas se neste último o que se salva é o clima divertido e retrô que o filme apresenta, Um Parto de Viagem funciona graças as atuações e a química entre Robert Downey Jr. e Zach Galifianakis.

O filme lembra o clima daquelas comédias sem vergonha dos anos 80 com Steve Martin, Chevy Chase e companhia. Graças a um incidente estúpido, Peter (Downey Jr.) é praticamente obrigado pelas circunstâncias a viajar até Los Angeles com carona de Ethan (Galifianakis) para acompanhar o nascimento do primeiro filho. Não demora para Peter, porém, perceber que o companheiro de viagem é um cara seriamente problemático, e de comportamento quase infantil. 

Zach Galifianakis já havia mostrado uma atuação surpreendente em Se Beber, Não Case, e aqui repete a dose: apesar do comportamento estúpido de Ethan, o ator nos convence de que não há maldade alguma no personagem, fazendo dele uma criança inconsequente e divertida. Mas o melhor, é a carga dramática que começa a surgir aos poucos, e que o ator trabalha com habilidade, como no momento em que, testado por Peter em suas habilidades como ator, acaba misturando a cena que atua com a dor de ter perdido o pai. Robert Downey Jr. faz uma atuação ótima e discreta, senta de canto, acerta o timing cômico e assiste o solo do colega. 

O show de atuações, aliás, é tão grande que é perfeitamente possível perdoar o ritmo irregular da obra, que acontece graças a atenção demais que o filme acaba dando em situações que não precisavam ser tão longas, como o confronto dos dois com um funcionário que resolve fechar a loja mais cedo por ter reserva num restaurante, ou a visita a casa de um amigo de Peter (interpretado por Jamie Foxx, na subtrama mais desnecessária do filme), cuja única parte importante é o seu desfecho. 

Felizmente, porém, no final das contas o saldo é muito positivo também graças ao clima completamente biruta e inconsequente que marca a obra de Phillips. E só os momentos em que Peter se livra de um garotinho irritante de forma inusitada ou quando Ethan bebe seu pai (assista para entender) já servem para recomendar este filme, que apesar de estar longe da perfeição, foi um dos mais engraçados de 2010.

NOTA: 8

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