South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes


"Lembrem-se do que a MPAA disse: violência deplorável tudo bem, desde que ninguém fale palavrões"

A versão em longa-metragem de South Park é um ataque perfeito a hipocrisia da censura ao cinema nos Estados Unidos, cujos exemplos não param de aparecer: esse ano mesmo, O Discurso do Rei, por causa da cena em que George VI fala "fuck", o filme ganhou censura de 18 anos, enquanto o violento Salt levou de 12 anos. South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes escancara essa hipocrisia de forma violenta, mostrando os Estados Unidos como um país que prefere entrar numa guerra violenta do que resolver seus problemas conversando com seus filhos, por exemplo.

Stan, Kyle, Cartman e Kenny tem suas vidas alteradas depois do lançamento do filme de Terrence and Phillip, Bundas de Fogo. Influenciadas pelo vocabulário fino da produção, todas as crianças da pequena cidade de South Park começam a falar palavrões. Terrence e Phillip acabam presos nos Estados Unidos, e uma guerra com o Canadá começa, o que coloca o planeta em perigo: se o sangue de Terrence e Phillip for derramado, Satanás e seu... parceiro Saddam Husseim irão dominar o mundo.

O que pode afastar boa parte do público é o humor chulo de Trey Parker e Matt Stone, que escreveram o roteiro com Pam Brady (que também escreveu os excelentes Team America e Perdendo a Noção), mas ignorar a crítica acertada do filme é outra história. South Park é também um musical, e não a toa ganhou a única indicação ao Oscar de Melhor Canção Original que realmente surpreendeu (e ganhou uma apresentação antológica com Robin Williams).

Pessoalmente, o humo de South Park é um dos meus favoritos, e o completo desprezo de Parker e Stone pelo que estão criticando (o racismo no Exército, a censura, etc.) é um bônus. Não é um filme para todo mundo, assim como a série também não é e nunca foi. Mas muita gente que torce o nariz, pode se surpreender.

E num efeito curioso: depois de ver o filme, toda vez que ouço o nome de Saddam Husseim, acabo caindo na gargalhada. Maldade, sim, mas fazer o que?

NOTA: 10

2 comentários:

Barmen disse...

Esse filme é genial! (A parte do escudo humano do exército é uma das melhores)

annastesia disse...

Gente, por favor! South Park é tuuuuudo! Adoro! Identificação total! Incorretíssimos, sarcásticos, irônicos, sórdidos e impiedosos. É disso que o mundo precisa nesses tempos hipocritamente corretos.

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