Primer


Ainda bem que não escrevi sobre Primer depois da primeira vez que o assisti. É um filme que, de tão complexo, é quase um anti-filme. Não é a complexidade normal de Cidade dos Sonhos, Amnésia ou Cisne Negro, por exemplo. Shane Carruth encheu o roteiro de diálogos de conteúdo indecifrável, a não ser que você seja um físico, e apesar de admirar a estética do filme, e achá-lo intrigante, é difícil imaginar alguém que se apaixonou por ele na primeira vez que o viu.

Mas...

Depois de revê-lo, sim, me apaixonei. Há uma trama coesa que surge sutilmente no complexo roteiro: não é difícil sacar a trama em si: é ligar todos os detalhes que o filme apresenta que é a tarefa realmente complicada, e fascinante nesse que é melhor exemplo de viagens no tempo junto com Os 12 Macacos.

Abe e Aaron são dois jovens cientistas que dedicam seu tempo e esforço em experiências científicas numa garagem. Criam, então, que inicialmente parece controlar a gravidade, mas não demora para que percebam que não é apenas isso: de alguma maneira, o objeto testado parece ter se deslocado no tempo dentro da máquina. E esta descoberta dará início a uma das tramas mais criativas e complexas já concebidas pela ficção científica.

Deixando de lado toda a parte científica da história, ainda sim Primer apresenta uma metáfora fascinante: o filme aposta que as grandes descobertas científicas não estão mais presas em grandes laboratórios; atualmente, alguns moleques numa garagem podem muito bem desafiar o stablishment (A Rede Social, de certa forma, seria uma continuação desse raciocínio). 

Shane Carruth produziu, escreveu, dirigiu e também protagoniza este pequeno filme, realizado com apenas 7 mil dólares. A quantia é inversamente proporcional a sua inventividade, e Carruth surpreende em todas as funções: como diretor, constantemente surpreende nos detalhes que servem como pistas para a trama. Um exemplo simples é o momento em que Abe recebe a ligação de Aaron para que saia de casa. Com dois cortes rápidos, a sensação é de que aquele momento aconteceu mais de uma vez. E como ator, seu trabalho se torna admirável quando percebemos a trama (e assim, as sutilezas em sua interpretação). E David Sullivan tem excelente química com Carruth, e surpreende no último ato.

É difícil dizer algo a mais sobre Primer. O filme é complexo, mas é também complicado saber até onde é possível falar sobre o filme sem estragar a experiência de quem vai assisti-lo. 

Só termino dizendo que baixem (sim, baixem, nunca vai ser lançado aqui) e revejam esse filme quantas vezes for necessário. Vai valer a pena.

NOTA: 10

6 comentários:

j3r3mias disse...

Já assisti esse filme mais de dez vezes e é sem dúvida o melhor filme de ficção que existe...

Anônimo disse...

Assisti e achei a narrativa da simples história bem cansativa. Assisti por recomendação e não vi nada novo, o filme é apenas uma recompilação de orçamento barato sobre viagem no tempo e os desdobramentos que essa possibilidade tras. Nota 5.

ZuzoBem Gara disse...

A cada vez que se assiste, mais detalhes aparecem.
Não recomendado para quem QI de ostra. Como o anônimo acima...

Não Desista! Insista! disse...

Apesar de seu comentário inicial, posso dizer que gostei muito do filme desde o princípio. Reconhecendo humildemente que a trama estava muito acima de meu conhecimento e havia encontrado um
filme fantástico, que merecia ser apreciado outras vezes para que eu pudesse extrair o máximo possível daquilo que o diretor havia proposto. Assistam novamente!! Assistam mais dez vezes!! E divirtam-se!!!

Anônimo disse...

Exatamente o oposto da realidade, o tipo de coisa que eles fizeram demanda investimentos absurdos e jamais seria feito em uma garagem qualquer.

Everton Bono disse...

amigo, construir uma máquina do tempo é algo fora da realidade. Da pra simplesmente curtir o filme?

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