O Turista


O Turista foi feito para fãs da revista Capricho ou da Caras, mas parece que nem esse público engoliu esse filme  fraco, clichê, estúpido. Pegaram um filme europeu bacana, Anthony Zimmer - A Caçada, chamaram dois atores que estão nos topos das A-Lists em Hollywood, um roteirista normalmente excelente, e um diretor alemão que surpreendeu a todos com o excelente A Vida dos Outros. Mas ao invés de corrigir os problemas do original para conseguirem uma obra melhor, ou no mínimo interessante, fizeram um comercial de margarina de duas horas em Veneza.

O começo engana, promete um filme intrigante. Angelina Jolie é perseguida até um café (pelos policiais menos discretos da face da terra, mas vá lá) até receber uma carta, que a pede para entrar num trem, encontrar alguém com o mesmo tipo físico do autor da carta e fazer a polícia se confundir. A vítima, no caso, é o professor bobão interpretado por Johnny Depp. Mas além da polícia, um mafioso que foi roubado pelo autor da carta também surge em cena.

Até aí o filme é aceitável, embora já apresente problemas. Aparentemente, os policiais disfarçados na Europa fazem questão de aparecer, Jolie mostra um sotaque britânico forçadíssimo e pouca coisa funciona. A cena do jantar no trem em que Jolie e Depp se conhecem tenta remeter a Antes do Amanhecer, fracassando miseravelmente. Mas ao menos, Johnny Depp está bem, mostra a dedicação de sempre, mesmo para um personagem que nunca será desenvolvido melhor.

Mas não demora para ficar claro que O Turista está pouco interessado na trama. É uma desculpa para mostrar dois sex simbols se pegando, incluindo aí, até delírios do personagem em que eles se beijam. E se Depp se esforça (ingratamente, mas está divertido), Jolie faz a atuação de sempre, sem mais nem menos. Quem gosta dela, vai gostar. Paul Bettany tem um momento ou outro, mas seu personagem é apagado. Se há alguma coisa que pode ser destacada nas atuações é a brincadeira bacana com a persona cinematográfica de Rufus Sewell, mas não posso dizer o porque, já que seria um spoiler dos brabos.

Christopher McQuarrie deve ter escrito o roteiro com preguiça enorme, já que é clichê atrás de clichê, sem exceção. Tanto é assim, que muita gente deve ter sacado o final surpreendente muito antes da hora. Para piorar, há diálogos tão tenebrosos que dá vontade de se encolher de vergonha (como o momento em que Depp suspira "Mas eu estou apaixonado por você", enquanto Jolie parte de barco). E o diretor Florian Henckel von Donnersmarck faz um trabalho ainda mais preguiçoso. Não há uma composição que chame a atenção, além de problemas amadores constrangedores (reparem como a van, no início do filme, parece varia o lado em que se encontra de acordo com a posição da câmera). Nem mesmo a direção de atores (o forte de A Vida dos Outros) mostra qualquer inspiração.

De qualquer forma, O Turista não é o pior filme de todos os tempos, e dúvido que será o pior desse ano, já que apesar de todos os problemas, não é insuportável: lembra aqueles filmes da Sessão da Tarde que apesar de horrorosos, a gente até consegue ver até o fim, já que ao menos, não se enrola.

Agora... concorrer ao Globo de Ouro como Melhor Filme? Tsc, tsc, tsc...

NOTA: 3

1 comentários:

Iasmin Carvalho disse...

Poxa, cara, concordo com tudinho que você falou, foi passando tudo isso na minha cabeça enquanto assistia o filme. Não pode ser um fracasso porque Angelina e Johnny não deixariam por sua fama. Se o filme tivesse meros atores, não faria tanto auÊ.
Gostei do seu comentário, demostra até que detém muito conhecimento cinematográfico. Vou seguir.

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