O Gabinete do Dr. Caligari


Um dos primeiros representantes do Expressionismo Alemão, O Gabinete do Dr. Caligari é um filme impressionante pela estética e pela temática, além de, facilmente, poder ser considerado o primeiro grande filme de terror da história. Forte crítica ao autoritarismo, mostra o tal Dr. Caligari que mantém um sonâmbulo que é mostrado durante uma feira e prevê a morte de uma das pessoas dali. Quando essa pessoa é realmente assassinada seu melhor amigo começa a investigar o misterioso Caligari e Cesare, o sonâmbulo.

Robert Wiene foi um dos diretores mais talentosos e criativos da época, como também mostram os clássicos As Mãos de Orlac e Crime e Castigo. O belo uso de sombras e a cenografia ainda impressiona: o enquadramento que mostra a cidade durante a feira, e que brinca com a perspectiva do local é brilhante. E como não admirar o momento em que, ao testemunharmos a origem de Caligari, vemos ele tentando fugir de diversas frases surgindo no enquadramento?

Além disso, a inteligência do filme é indiscutível: se todas as figuras de autoridade surgem em cenários exagerados (como o tamanho das mesas e cadeiras), mas todas sempre muito acima do chão, o gabinete de Caligari parece afundado ao chão, escuro, quase como a toca de um animal perigoso, algo que obviamente diz muito sobre a natureza do personagem.

Acho complicado analisar as atuações da época, já que poucas se sobressaem, e essas normalmente vem pelo exagero ou pela maquiagem (Nosferatu vem a mente), mas Conrad Veidt faz um trabalho interessante como Cesare, e não é a toa que trabalhou ainda várias outras vezes com Wiene, e Werner Krauss brilha no epílogo.

Trazendo ainda um desfecho fabuloso e surreal, O Gabinete do Dr. Caligari talvez tenha sido uma das obras mais influentes de todos os tempos: é fácil assistir o filme e pensar o quanto dele é tomado como referência, não só em obras feitas na época depois dele, como até hoje (o desfecho no hospício deve ter sido assistido inúmeras vezes por David Lynch, por exemplo). Merece ser revisto, relembrado, ou, descoberto.

NOTA: 10

2 comentários:

Rodrigo disse...

Ótimo texto, ótimo filme. Um dos primeiros que conferi do Expressionismo Alemão, e depois de vários já assistidos, este continua como o mais bonito estéticamente.

annastesia disse...

Expressionismo é o estilo cinematográfico que mais me fascina. E Caligari é um filme essencial.

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