O Declínio do Império Americano


Dirigido por Denys Arcand em 1986, O Declínio do Império Americano mostra uma reunião de amigos num jantar numa casa a beira de um lago. Todos intelectuais, no início vemos a preparação de homens e mulheres para o jantar: enquanto os homens preparam a comida, as mulheres se arrumam. Em comum: os dois grupos falam unicamente do sexo oposto. E de sexo.

Pode parecer estranho que um filme com esse título tenha esse conteúdo, mas o roteiro é inteligente: a idéia é mostrar que, logo no início do que seria o declínio que segue logo o auge, obviamente, cresce o individualismo (não é a toa que uma das mulheres tenha recém lançado um livro sobre a felicidade individual), as pessoas começam a se apegar a recompensas momentâneas, e não duradouras, como Rémy, que apesar de amar sua esposa, sente que é um melhor marido (fisicamente e psicologicamente) quando é infiel.

Equilibrado a isso, há o senso de humor admirável de Arcand, que somado a sua inteligência, transforma seus filmes em experiências fabulosas: o momento em que os homens relembram a época de jovens quando eram obrigados a dançar para conquistar as garotas é a cena mais divertida do filme. Mas é num momento mais dramático que o roteiro realmente acerta: depois de ouvir a teoria da escritora sobre a "felicidade individual", a esposa de Rémy, a "peixe fora d'água" que acompanha as conversas intelectuais de longe se manifesta claramente contra a teoria, e apenas para calá-la, a escritora conta sobre seu caso com Rémy.

É um momento pequeno, tenso, mas formidável. Para Arcand, os intelectuais estão perdidos, refletem o comportamento individualista a ponto de não se importarem em como suas palavras (escritas ou faladas, não importa) afetam outros. O importante não é ter a razão, ou sequer estar certo: é falar, provocar. Não significa que Arcand esteja os julgando, pelo contrário, ama os personagens (não a toa os encontraria de novo no magnífico As Invasões Bárbaras), mas seus personagens são, antes de mais nada, fortes figuras de seu tempo.

NOTA: 10

2 comentários:

annastesia disse...

Tiago, só você mesmo pra dar nota 10 para O declínio... E eu concordo.

Pitágoras disse...

É o meu filme preferido.
A inteligência dos diálogos é espantosa.
Dou nota 10, porque não posso dar mais.

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