Amor & Outras Drogas


Há um filme excelente dentro de Amor & Outras Drogas, e quando ele aparece é sensacional. Apresenta uma crítica sutil ao mercado farmacêutico (apesar de uma propaganda sem vergonha do Prozac, na subtrama do mendigo), com um senso de humor cativante e bem interpretado. Meu problema não é com o romance entre os protagonistas, que apesar de interessante, vai caindo nos mais irritantes clichês das comédias românticas: é o excesso destes clichês. O roteiro tenta se sabotar o tempo todo, e Edward Zwick é um bom diretor, mas é péssimo em sutilezas. Em vez de contornar os problemas, amplifica-os.

No início, nos apresenta a Jamie, um rapaz inteligente, ambicioso, mas que ainda procura o que realmente quer da vida. É indicado pelo irmão para se tornar vendedor da Pfizer, e se sai bem, principalmente quando começa a vender Viagra (a trama se passa nos anos 90). Mas em sua parceria questionável com um médico influente, conhece Maggie, uma bela jovem portadora do Mal de Parkinson. Os dois começam um relacionamento, que de acordo com ela, não pode passar do sexo casual. Já adivinhou o que vai acontecer, né?

Quando se concentra na carreira de Jamie, o filme é excelente, divertido, sutil, e Jake Gyllenhaal está ótimo como o protagonista carismático e meio cretino, e Oliver Platt, um ótimo ator que parece só fazer porcarias, tem duas cenas formidáveis. Já na parte do romance, é clichê, mas apresenta um diferencial interessante, quando discute com maturidade a fragilidade da relação dos dois graças a doença. A cena em que Maggie assiste um evento com vários outros portadores da doença é maravilhosa, e a sinceridade do conselho que Jamie recebe de um marido de uma mulher com a doença é o grande momento do filme. E Anne Hathaway está absolutamente maravilhosa. Só o momento em que, por não poder comprar os remédios, acaba enchendo a cara para suportar o dia já deveria render prêmios. É um momento fabuloso, de uma atriz que vem melhorando cada vez mais.

Mas com tanta coisa no lugar, porque diabos dar tanta atenção a um personagem escroto, como o irmão de Jamie (talvez o pior coadjuvante dos últimos anos)? Pior ainda é perceber que o personagem de Oliver Platt some durante boa parte do filme para explorar mais a relação entre os irmãos, que em vez de alívio cômico, surge como momentos frustrantes, que atrapalham uma história interessante. E porque a necessidade de transformar Maggie numa santa? Acredito que os realizadores acharam que uma personagem sexualmente ativíssima só seria aceita pelo público por comprar remédios para idosos, por ser uma artista sensível, blablabla. Uma besteira. É tanto exagero nessa parte que o final não é só previsível: conseguimos imaginar com 100% de certeza como tudo irá acabar. Problemas que se tornam ainda mais frustrantes e lamentáveis por atrapalharem um filme que tinha tudo para ser muito acima da média. 

NOTA: 7,5

2 comentários:

Riffael disse...

Concordo com a crítica, porém não com a nota. Achei-a destoante à crítica, ainda mais vendo a que foi dada ao último filme de Woody.

Enfim, o filme é ruim mesmo, nem as cenas do congresso de Parkinson e as críticas à indústria farmacêutica salvam.

Anônimo disse...

http://site.ru - [url=http://site.ru]site[/url] site
site

Real Time Web Analytics