Vôo United 93



Paul Greengrass já havia feito um filme sobre uma grande ação coletiva, o pouco visto e fabuloso Domingo Sangrento, que mostrava a história do lamentável massacre ocorrido durante uma manifestação pacifista na Irlanda (e que inspirou a Sunday Bloody Sunday, do U2). Mas Vôo United 93 consegue ser ainda mais intenso, em alguns momentos quase insuportável de tão tenso. O filme conta a história do único avião sequestrado no 11 de setembro de 2001 que não atingiu seu alvo, graças aos passageiros que enfrentaram os terroristas a bordo.

Greengrass (que também escreveu o roteiro) despe o filme de qualquer romantismo ou panfletarismo. Não há grandes momentos, nem os típicos personagens para o público se identificar: usa uma correta estética documental e, ao final, não lamentamos a morte de um ou outro personagem, e sim por todos eles, incluindo aí os pobres controladores de vôo que enfrentam como podem uma situação sem precedentes. 

Apesar de já sabermos como a história irá terminar, Vôo United 93 mantém o interesse graças ao nível impressionante de atenção aos detalhes. A maneira como o diretor ilustra a comunicação entre os controladores de vôo, os militares e outros pode confundir no início, mas se torna claro e eficiente. O momento em que o primeiro avião desaparece da tela enquanto sobrevoava Nova York é um momento fortíssimo. Ninguém ali entende, mas nós sabemos muito bem o que aconteceu. E o fato de que vários que estão ali no filme atuando, na verdade, estão reprisando seus papéis na vida real é fascinante e admirável.

Mas é no aspecto moral que realmente admiro Vôo United 93. O filme, em nenhum momento, faz algum discurso de ódio ou preconceituoso contra os terroristas: Greengrass apenas diz que aqueles que causam ameaça com violência e armas devem ser combatidos (e Zona Verde se torna mais fascinante ao apresentar o inverso: os americanos são os vilões). E a reação dos passageiros contra os terroristas não é apresentado como algo mais heróico do que foi, já que afinal, foi uma reação ditada muito mais pelo instinto de sobrevivência do que por patriotismo (algo que não torna o ato menor de forma alguma, diga-se de passagem).

Contando com uma montagem fabulosa e um dos planos finais mais assustadores de todos os tempos, Vôo United 93 é um filme seco, despido de patriotismo e de qualquer outro elemento típico do cinema norte-americano produz nesse gênero. E, no entanto, é uma homenagem muito mais admirável do que As Torres Gêmeas de Oliver Stone, por exemplo.

NOTA: 10

PS: Em alguns fóruns, acabei lendo pessoas dizendo que a história do filme se baseia numa mentira, o que é de uma escrotice assustadora: duvidar de quem realmente causou os atentados é uma coisa; acreditar que todo o povo norte-americano esconde um grande segredo do resto do mundo é infantil. Vão se tratar.

2 comentários:

Quéroul disse...

eu sofri muito na primeira vez que eu assisti. uma tensão, uma tristeza terrível.
assisti uma segunda vez e continuei achando tenso e triste, mas menos bom do que achei na primeira vez...

mas gosto.

Wally disse...

Excelente esse filme! Trabalho de direção e edição maravilhoso - e o elenco é ótimo. Tenso e angustiante.

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