Um Lugar Qualquer


É bom, quase ótimo este novo trabalho de Sofia Coppola que depois de dois filmes geniais, se perdeu completamente no desastroso Maria Antonieta. Parece que ela resolveu fazer uma obra no estilo de Jim Jarmusch, minimalista, contemplativa. Mas Sofia está anos-luz aquém de Jarmusch, e Um Lugar Qualquer demora tanto para engrenar, que incomoda.

Conta a história de Johnny Marco, um ator famoso que, vivendo uma existência completamente vazia, acaba reencontrando a felicidade quando é obrigado a passar alguns dias com a filha. Não é uma idéia ruim, mas Sofia "capricha" ao retratar o vazio da vida do ator: estica o nada, como se fosse a coisa mais genial. Não é, e depois de um tempo cansa. Só depois da metade que a história parece encontrar seu ritmo, mas não dúvido que muitos tenham largado os bets ainda no início e desistido de gostar do filme. E não tiro a razão de quem fez isso, afinal não é todo filme que consegue fazer um striptease feito por duas loiras lindas e gêmeas parecer a coisa mais entediante do mundo (entendi a idéia da cena, mas a coreografia das garotas é risível. É um momento dos mais patéticos da cineasta).

Há um velho truque usado por cineastas que é o de usar atores ruins para atuarem em personagens desagradáveis: a canastrice usada a favor do filme. Um exemplo conhecido é James Mason como o desprezível protagonista no Lolita de Stanley Kubrick, ou Cameron Diaz em Um Domingo Qualquer. Antes de assistir o filme, acreditava que esse era o caso aqui com o normalmente fraco Stephen Dorff, mas ele está realmente ótimo. Entendeu bem o personagem, e cria sutilezas cativantes. Está tão bom que torna seus trabalhos anteriores (como em Blade) inexplicáveis. Elle Fanning não fica atrás, e apesar de claramente atuar uma garota matura para sua idade, não exagera na dose, e ainda cativa com uma sutileza infantil, especialmente no momento em que é obrigada a tomar café com uma namorada do pai.

A trilha sonora é ótima, a fotografia belíssima, e há momentos realmente tocantes: pai e filha no fundo da piscina, ou quando escutam uma versão estranha de Teddy Bear. São cenas tão boas que lembram a Sofia Coppola de As Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros, mas são momentos isolados. A diretora parece estar sofrendo do mesmo problema que ela apresenta no início, ao mostrar Johnny dirigindo o carro em círculos (que, sendo bem justo, é uma idéia copiada de The Brown Bunny). A rima visual que encerra esta idéia é brilhante. Falta a própria diretora encontrar um desfecho parecido para sua carreira para voltar a nos encantar.

NOTA: 7,5

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