Um Domingo Qualquer


Um Domingo Qualquer foi o último grande trabalho de Oliver Stone. Mesmo estando longe da perfeição de obras como JFK ou Platoon, o filme é um de seus trabalhos mais inspirados na direção: Stone filma as partidas de futebol americano como verdadeiras batalhas, com câmera na mão, um trabalho de som e montagem que faz com que o público sinta cada pancada, e em alguns momentos praticamente tira o nosso fôlego.

Obviamente, Stone é fã do futebol americano, mas fez do filme o que Spike Lee também fez no subestimado Jogada Decisiva: aproveita o esporte para tecer uma crítica sobre a modernização nociva, e até rápidos comentários sociais. Além disso, jamais esconde a brutalidade, o verdadeiro espetáculo de violência que o esporte proporciona, como o momento em que um jogador perde um olho numa jogada.

Tony D'Amato (Al Pacino) é o treinador do Miami Sharks, um time que vem enfrentando algumas dificuldades n final do campeonato. Com o principal jogador lesionado (Dennis Quaid) e a enorme pressão que a nova presidente do clube (Cameron Diaz) começa a aplicar, D'Amato encontra uma nova oportunidade para vencer com a revelação de Willie Beamen (Jamie Foxx), um jogador talentosíssimo, mas que rapidamente deixa o sucesso subir a cabeça, criando ainda mais conflitos na equipe, que já se encontra abalada com várias derrotas seguidas.

O roteiro de Oliver Stone e John Logan surpreende pela maneira direta e rápida de como resolve (ou apresenta) seus conflitos, como a rápida relação entre D'Amato e uma prostituta, ou o relacionamento entre D'Amato e Beamen: se parece ser o elemento central da narrativa, nos surpreendemos com um forte confronto entre os dois logo no início do segundo ato, por exemplo. O que o roteiro (e o filme) tenta fazer é complicado, mas funciona: logo fica claro que todos os personagens são importantes para a narrativa, e que Stone está interessado no entrosamento de toda a equipe, e não só dos protagonistas. Assim, é fascinante que todos os personagens possuam um arco dramático eficiente e bem definido, como o médico interpretado por Matthew Modine (numa ironia divertidíssima, já que seu arco dramático lembra os criados por Abel Ferrara, com quem o ator trabalha habitualmente).

Al Pacino faz um trabalho fabuloso como o treinador, e aproveita bem a oportunidade que o roteiro lhe proporciona em suas cenas dramáticas. Um trabalho que faz juz a sua bela carreira. Jamie Foxx se tornou reconhecido aqui, e não é pra menos, já que sua performance emana energia, e surpreende muito no final. Aliás, que elenco: Dennis Quaid, Matthew Modine, James Woods, Aaron Ekhart, LL Cool J, Ann-Margret também fazem trabalhos ótimos. E Cameron Diaz (quem diria) está excelente, corretamente arrogante, e peitando Pacino com categoria.

Mas talvez seja na parte técnica que Um Domingo Qualquer seja realmente brilhante: a partida que ocorre a noite sob uma forte tempestade é uma cena absurda de bela, maravilhosa. Trabalhando com quatro montadores (QUATRO!), não é difícil entender o absurdo que é sua montagem, um trabalho arrebatador que merecia toneladas de prêmios. Talvez seus poucos problemas tenham atrapalhado o filme: a duração é um pouco longa, poderia ter perdido facilmente alguns minutos sem prejudicar a história. 

Mas por não ser nenhum pouco fã de futebol americano, e mesmo assim durante o filme ter me flagrado torcendo desesperadamente pelo time e pelos jogadores, além de entender perfeitamente a lógica do esporte, que como o próprio diretor compara visualmente, que é uma verdadeira batalha de gladiadores. Algo que faz a rápida ponta de Charlton Heston ainda mais irônica e divertida.

NOTA: 8,5

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