Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas


Parece falar sobre o não materialismo em prol de uma vida em comunhão com a natureza, sobre o fim das tradições, sobre família. Mas não é sobre porcaria nenhuma. Na verdade, é uma bela porcaria. Tio Boonmee inexplicavelmente venceu a Palma de Ouro em Cannes graças ao presidente do júri Tim Burton. Minha teoria, é de que Burton se vingou de nós, cinéfilos, por não termos gostado de Alice no País das Maravilhas e resolveu manchar o nome de uma das poucas premiações confiáveis do mundo.

Dirigido por Apichatpong Weerasethakul (repita esse nome para seus amigos), o filme mostra o tal do Tio Boonmee, que realmente pode ver suas vidas passadas sendo visitado pela sua família e alguns fantasmas de seu passado. Na verdade, o filme é uma fábula que inclui Macacos Fantasma (parentes próximos do Chewbacca) e peixes boqueteiros. 

O pior de tudo é notar que o diretor tinha boas intenções. A cena de abertura é bacana, assim como a maneira como os espíritos surgem na mesa de jantar logo no primeiro ato. Mas Apichat... bem, o diretor acaba com todas as chances de seu filme funcionar graças a uma mise-en-scene absurda e de tão mal conduzida: reparem na mesma cena de jantar quando uma personagem se levanta da mesa para sentar em uma cadeira no canto do local. A cena praticamente pára, diálogos e ações dos outros personagens só para ver a tia levantar da cadeira e sentar do outro lado. Eu não tenho nada contra filmes com ritmo lento quando sinto que essa lentidão é, na verdade, o diretor seguro da história que está contando, e que o filme está caminhando para algum lugar. Isso definitivamente não acontece em Tio Boonmee. A sensação é de que o diretor está nos testando, algo do tipo "Quem boceja/cochila antes?" (quem perder, me dá uma Palma de Ouro).

Contando ainda com flashbacks intrusivos e tão longos que, quando voltamos ao tempo real da história já nem lembramos o que estava acontecendo (o que me lembra O Tigre e o Dragão), Tio Boonmee é o tipo de merda que se consagra entre a galera mais cult, no que parece muito mais um atentado ao bom gosto. Não discordo de que há mensagens significativas dentro da história, e que a estética da obra é interessante, motivos pelos quais não dou um zero. 

Mas esperar que eu goste de uma obra que, sem saber o que mostrar, mostra um monge tomando banho por cinco minutos, aí é pedir um pouco demais pra mim.

NOTA: 3

2 comentários:

LuEs disse...

Olha, honestamente, eu jáestvaa meio cansado de todos falando bem desse filme. Eu ainda não o vi, mas já estava cansado de tantos elogios a ele e já estava considerando que o filme fosse sobrevalorizado.

Considerando a sua nota 3, me deu vontade de vê-lo.

Ritter Fan disse...

Acho que o crítico foi até benevolente com o filme. As palavras que apareceram na minha cabeça quando essa tortura acabou foram: pretensioso, hermético, lento, chato, ininteligível. Eu até entendo que talvez haja grandes simbolismos por trás de tudo mas haja paciência!

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