Swimming Pool - À Beira da Piscina


Swimming Pool é uma prova do talento de François Ozon: de início, o roteiro parece falar sobre processo criativo, depois sobre sexualidade. Acaba sendo sobre coisa nenhuma, é oco, mas é tão bem conduzido que não chega a incomodar, principalmente no duelo de interpretações fabuloso entre Charlotte Rampling e Ludivine Sagnier.

Rampling interpreta uma escritora arrogante e bem sucedida que precisa mudar de ares. Acaba ganhando a oportunidade de passar um tempo na França na casa do seu editor. Lá, ela é surpreendida pela personagem de Sagnier, a jovem lolita filha do editor. Incomodada com o barulho e as conversas esdrúxulas da garota, ela decide se isolar para terminar seu livro, mas a intensa sexualidade da garota logo começa a chamar muito a sua atenção, e passa a escrever sobre ela.

Quando comentei sobre O Refúgio, lamentei principalmente o fato da protagonista não acertar o tom da personagem, uma jovem arrogante e imatura, que começa assim e fica até o final, sem qualquer característica que a aproxime com o público. Aqui, Charlotte Rampling é apresentada como uma personagem desagradável e arrogante, mas em uma cena curtíssima em que vemos ela em casa com seu pai, um pequeno milagre: a atriz   sem qualquer diálogo mostra o enorme cansaço e frustração que a escritora passa: como não se identificar com alguém que precisa desesperadamente de uma mudança de ares?

E Rampling acerta na construção da personagem, com uma seriedade que não está no roteiro (que parece uma adaptação de algum folhetim sem vergonha), mas que funciona bem. E Ludivine Sagnier cria um oposto interessantíssimo: parece muito mais relaxada em cena, ilumina o filme com sua presença. A veterana pode ter ganhado todas as glórias aqui, mas é com Ludivine que o filme se torna mágico e acima da média.

O desfecho parece uma piada esquisita, mas até funciona, mas não sei se sobrevive a várias revisões. O tom de Swimming Pool é bastante lento, mas o filme é muito divertido e intenso. Não é uma obra para ser levada a sério, parece mais um exercício que François Ozon pagou pra ver. Mas está longe de ser banal.

NOTA: 8,5

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