O Refúgio


É indiscutível que François Ozon é um cineasta talentoso. Basta assistir a obras como Swimming Pool - A Beira da Piscina ou O Tempo que Resta para chegar a essa conclusão. Infelizmente, o cineasta também é capaz de besteiras imperdoáveis, que fazem sua obra parecer muito irregular, justamente como este O Refúgio

O filme abre mostrando um casal perdido nas drogas, Mousse e Louis tem overdose de heroína. Ela acorda no hospital dois dias depois, e descobre que Louis morreu e que está grávida dele. Aconselhada por sua sogra a abortar, ela decide se esconder para ter a criança. É então que o irmão de Louis, Paul, aparece meses depois para passar alguns dias com ela.

O grande problema do filme é a personagem central: Mousse é apresentada como uma drogada sem qualquer personalidade, e a reencontramos meses depois mantendo a gravidez, e ainda sem qualquer personalidade, além de completamente irresponsável, bebendo e sem qualquer cuidado com o filho. Talvez o diretor tenha confiado que a atriz Isabelle Carré traria algo para a personagem, mas ela parece atuar no piloto automático. Está bem, mas devia fazer mais, o filme dependia de uma grande atuação que jamais acontece. Basta comparar a atuação dela com a de Louis-Ronan Choisy que, com muito menos tempo em cena, faz de Paul um personagem infinitamente mais complexo.

O problema não é que a personagem seja antipática, ou errônea: o filme não precisa criar simpatia para agradar, mas sim empatia. Mas nada, nem o roteiro, nem a atuação e nem a direção consegue nos tornar próximos da protagonista. E acredito que grande parte deste problema seria resolvido se François Ozon não tomasse a inexplicável decisão de não mostrar o que deve ter sido o período mais difícil para a personagem, a reabilitação das drogas.

O Refúgio tem uma parte técnica fabulosa, em especial a fotografia e a direção de arte (apesar do exagero na casa da mãe de Louis, que parece a casa dos Corleone). Infelizmente, apesar de não ser um completo desastre, há muito pouco que se salva. E não há nada que eu odeie mais do que um filme sem vergonha que termina pretensioso.

NOTA: 4

2 comentários:

Guilherme Huyer disse...

E concordamos novamente.

Tiago Lipka disse...

Hahahaha... que bom.

Mas também, né? Ô filminho sem vergonha...

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