O Quarto do Filho


O Quarto do Filho é um drama extraordinário, mas também um verdadeira filme de terror para quem é pai. Ilustrando com sinceridade e sem qualquer maniqueísmo a dor da perda de um membro da família, o filme de Nanni Moretti surpreendeu a todos, já que o ator e diretor costumava realizar comédias. Não é a toa que depois deste, Moretti passou a buscar filmes dramaticamente mais ambiciosos, como Crocodilo e o ótimo Caos Calmo.

Moretti interpreta Giovanni, psicólogo e pai de uma família harmoniosa e feliz: sua mulher e dois filhos são bastante ativos, praticam esportes juntos e fazem o máximo possível para ficarem sempre juntos. Depois de usar todo o primeiro ato para que conheçamos e gostemos daquela família, somos obrigados a sofrer o impacto da morte do filho Andrea. O filme evita de explorar a dor dos personagens, e nem força suas situações, que são sempre naturais, honestas, e por isso mesmo ainda mais emocionantes. O que Moretti quer no filme é mostrar a dificuldade de seguirmos em frente depois de uma tragédia. 

Demonstrando um cuidado surpreendente com o ritmo da obra, Moretti faz uma direção simples, sempre focada nos atores. Há uma constante rima visual em planos que o acompanham saindo do consultório e indo pra casa, mas o diretor az o mínimo possível para chamar a atenção para seu trabalho. Aliás, Moretti também se mostra generoso como ator, fazendo um trabalho discreto e soberbo. Sua reação a ver uma importante personagem que surge no terceiro ato do filme é um dos momentos mais bonitos que já vi no cinema.

Aliás, o terceiro ato fecha O Quarto do Filho com elegância. Não se trata de uma grande revelação; é tão coeso quanto o resto da obra, mas é besteira entregar o que acontece aqui. Basta dizer que o filme funciona tão bem em todos os níveis, que o público só parece conseguir respirar bem novamente, quando os próprios personagens também conseguem. Pode até ser emocionalmente exaustivo, mas é de uma beleza singular, daquelas que realmente nos marcam.

NOTA: 10

3 comentários:

@cinemacombr disse...

O mais interessante de Moretti conforme comentado do texto foi sua transição da comédia para desenvolver O Quarto do Filho. De pois de algum tempo ele apresenta Caos Calmo com o retrato um pouco diferente da perda e novos comportamentos. Ambos valem a ser vistos e refletidos.

Quéroul disse...

nossa, mas eu chorei nesse filme, afe.
e super ainda tenho dificuldade de ouvir a música do Brian Eno, porque choro só de lembrar.

filme lindo, cruzes.

Tiago Lipka disse...

Só lembrando que o Caos Calmo não foi dirigido pelo Nanni Moretti, e sim pelo Antonio Luigi Grimaldi.

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