Match Point - Ponto Final


Um pequeno milagre: um filme sensual, quase erótico que cita filosofia. Match Point é o melhor Woody Allen desde o insuperável Manhattan, e um lembrete do extraordinário talento do diretor, quando ele está realmente a fim de contar uma história. O filme é um romance safado, com leves toques de comédia que acaba se tornando um suspense mais do que surpreendente. E o melhor: tudo numa embalagem coesa, que fica ainda melhor quando é revista: é um prazer observar como o tio Woody já nos preparava desde o início para seu desfecho.

Chris Wilton talvez seja o melhor protagonista já construído pelo diretor: manipulador, ambicioso, mas com um sério complexo de inferioridade, o filme nos mostra sua jornada até se tornar um bon vivant: tenista profissional que decide virar professor do esporte, ele fica amigo de um ricaço (Matthew Goode), e se casa com a irmã dele (Emily Mortimer), enquanto começa a pegar a mulher do amigo (Scarlett Johansson). 

A trama é simples, mas a complexidade dos personagens dá vida ao filme, que tem atuações mais do que acima da média: Woody Allen sempre trabalha com ótimos elencos, mas raramente acerta tão bem: Jonathan Rhys Meyers é um bom ator, mas aqui está genial, fabuloso, malandrão, mas também trágico. Matthew Goode aposta no carisma e acerta na escolha. Emily Mortimer está soberba e protagoniza uma das melhores piadas de Woody (o momento em que tenta levar o marido pra cama com um termômetro na boca), e Scarlett Johansson surpreende: ela havia se mostrado uma boa atriz em Encontros e Desencontros, mas aqui faz um trabalho perfeito, principalmente da metade do filme pra frente. Vai ter que suar muito pra fazer um trabalho assim de novo. Mesmo os sempre ótimos Brian Cox e Penelope Wilton que aparecem pouco fazem personagens memoráveis.

A direção de Woddy Allen é outra surpresa: talvez por fazer um drama e finalmente não sentir a necessidade de emular o cinema de Bergman ou Fellini, o diretor relaxa e faz um trabalho memorável, discreto, mas inteligente. Movimenta a câmera com elegância e conduz bem as longas passagens de tempo exigidas pela narrativa (algo que sempre considerei o calcanhar de Aquiles do tio Allen).

Muitos enxergaram no filme uma reviravolta positiva na carreira do diretor: mas o tempo passou, e de genial mesmo, só a comédia Tudo Pode Dar Certo, e vá lá, Vicky Cristina Barcelona. Na verdade, Match Point é um lembrete de como não devemos criar expectativas para as obras de Woody Allen, e aliás, de diretor nenhum.

É muito melhor ser surpreendido.

NOTA: 10

1 comentários:

Anônimo disse...

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