Deuses e Monstros


James Whale foi um dos grandes diretores a trabalhar em Hollywood nos anos 30, realizando duas obras-primas ainda muito lembradas: Frankenstein e A Noiva do Frankenstein. Depois de alguns fracassos comerciais (graças a cortes e refilmagens ordenadas pelo estúdio) e sua relutância em esconder sua homossexualidade, foi largado ao esquecimento.

Em 1957, um derrame afeta seu cérebro de forma irreversível: Whale começa a ter alucinações visuais e olfativas sobre se passado, que sempre tentou omitir: sua infância paupérrima, sua ida as trincheiras da Primeira Guerra Mundial, tudo começa a voltar enquanto ele conhece Clayton Boone, seu novo jardineiro, história esta contada no livro The Father of Frankenstein, e adaptada no cinema neste belíssimo Deuses e Monstros, dirigido por Bill Condon.

Ian McKellen faz uma atuação brilhante como James Whale, claramente divertindo-se com a maneira que o personagem usa propositalmente dos trejeitos homossexuais para provocar Boone e sua empregada de anos, interpretada por Lynn Redgrave, também num momento fantástico. Mas as grandes atuações dos dois não seria capaz de sustentar sozinhos o filme, que ainda conta com uma atuação mais do que surpreendente de Brendan Fraser. Aliás, foi a primeira atuação que mostrou o potencial de Fraser em papéis mais sérios, como ele ainda demonstrou em O Americano Tranquilo e Crash - No Limite. Que hoje em dia, ele se contente em fazer pontas em GI Joe é bem deprimente, portanto...

Bill Condon aproveita bem as possibilidades fascinantes que a história de Whale o proporciona, mas sem exagerar: os flashbacks são curtos e sutis, e óbviamente seria irresistível recriar alguma cena dos filmes de Whale, ago que o diretor também faz muito bem. Os únicos momentos em que Condon acaba exagerando um pouco nisso são também os pontos mais fracos do filme, como a piada envolvendo Fraser e McKellen em uma cena de Frankenstein (que é uma boa piada, mas que se estende demais) ou, o mais triste, a cena final que fecha o filme de maneira esquisita, errada. Até faz sentido com um diálogo em que Whale lamenta que as pessoas não dêem risadas vendo seus filmes de terror, já que eles foram feitos para ser engraçados. Mas ainda assim, a cena final não desce direito.

Mas é claro que o filme tem muito mais virtudes que defeitos. Fora as atuações soberbas do elenco, há ainda uma fotografia mais do que exemplar, e um roteiro fabuloso, tanto em estrutura quanto em diálogos. Mesmo a sub-trama entre Clayton e uma garçonete que parece perdida no meio do filme tem a sua função e funciona bem. Junto com Kinsey - Vamos Falar de Sexo?, também um drama que discutia sexualidade, é uma prova do talento de Bill Condon, que depois inexplicavelmente foi fazer o fraco Dreamgirls, e pior ainda, vai realizar os últimos filmes da saga Crepúsculo.

Se fizer 50% do que apresentou aqui, já vai ser a melhor coisa da tal saga...

NOTA: 9

1 comentários:

João Marcos Flores disse...

Sério que você acha A Noiva do Frankenstein uma obra-prima? Eu não acho nem o filme original. É bom, mas longe de obra-prima.

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