Deixe-me Entrar


(Esclarecimento: NÃO assisti ao original, Deixe Ela Entrar. Ficou muito pouco tempo em cartaz aqui em Curitiba, e, aparentemente, nenhuma locadora se interessou em pegar o filme. Mas juro que vou correr ainda mais atrás, agora.)

Matt Reeves mostrou talento no surpreendente Cloverfield - Monstro e seu retorno a direção era, pelo menos para mim, muito aguardado. Resolveu dirigir o remake do Deixe Ela Entrar, que se consagrou entre os cinéfilos, uma escolha naturalmente decepcionante. Mas talvez por se manter absurdamente fiel ao original (algo que constatei por sites que comparavam enquadramentos e diálogos), não fez feio. Aliás, pelo contrário: fez um filme de terror muito acima da média ao que é produzido nos Estados Unidos. Talvez seja o caso do remake americano conduzido por Michael Haneke de Violência Gratuita

De qualquer forma, o filme é excelente. A intrigante história de Owen, um garoto solitário que se aproxima da nova vizinha, a vampira Abby é bem conduzida, consegue misturar bem um clima tenso, com o de um drama como Conta Comigo. A fotografia e a trilha sonora são destaques inequívocos, assim como a atuação dos jovens astros. Chloe Moretz de Kick-Ass está excelente, mas Kodi Smit-McPhee, que já havia surpreendido em A Estrada está soberbo, digno de prêmios. O momento em que telefona para seu pai depois de um momento particularmente sombrio é fabuloso, assim como o abraço que dá em sua colega depois de vê-la passando mal, em que revela a carência desesperadora de seu personagem. Além dos dois, há ainda  participações dos excelente Richard Jenkins e Elias Koteas, apesar do segundo ser pouco aproveitado.

Pena que o roteiro seja inferior a estes aspectos do filme. A relação entre Owen e sua mãe, por exemplo é pouquíssimo aproveitada. Insinua que ela seja uma religiosa fanática, mas tudo que vemos é ela rezando antes de jantar. A maneira como a família funciona se torna clara na já dita cena do telefonema do garoto para seu pai, mas faltou mais elementos (até para que aceitássemos com mais complexidade o desfecho). Além disso, há problemas bobos, como o fato do policial logo no início perguntar a um personagem sobre seu envolvimento com cultos satânicos quando, na realidade, ele só desconfia disso muito depois da cena em questão.

Mas apesar destes problemas, a direção é tão segura e o elenco está tão fabuloso que é difícil se queixar. E a maneira crua de como o filme mostra a violência torna tudo ainda mais instigante (a cena no final, que envolve uma piscina é um exemplo). E no final das contas, é até complicado escrever sobre Deixe-me Entrar sem ter assistido o original, e não saber exatamente onde começa o mérito de um e termina o de outro.

De qualquer forma, assumo aqui que adorei Deixe-me Entrar. E caso assista Deixe Ela Entrar e realmente o ache muito superior, duvido que gostarei menos deste. E espero que Matt Reeves, agora, trabalhe em algo original, novamente.

NOTA: 9

1 comentários:

João Marcos Flores disse...

Cara, a questão não é uma locadora decidir comprar o filme, mas alguma distribuidora se dignar a lançá-lo em DVD.

Triste, mas é assim :\

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