Cão Branco


Curto, grosso e direto ao ponto. Isso resume Cão Branco e boa parte do cinema de Samuel Fuller. O diretor não tem papas na língua e não faz média: em Cão Branco ele mostra que racistas e preconceituosas são odiosas e violentas que merecem ser completamente isoladas do resto da sociedade, pois são muito mais propensas a demonstrações bárbaras de violência. Isso não cabe ao público interpretar: o diretor nos afirma. E com razão.

O filme é uma versão em ritmo de pesadelo de qualquer filme bonitinho de bichos de estimação: Julie é uma atriz que atropela o cão do título por acidente. Solitária, ela o leva para casa e cuida dele, mas não demora a perceber uma característica terrível: o cão foi treinado para atacar qualquer pessoa de pele negra. Julie se nega a sacrificá-lo, e procura alguém que possa mudar o comportamento do bicho. Encontra o experiente Keys, treinador experiente cujo maior sonho é poder mudar um cão branco.

Fuller deixa claro que o certo a fazer é sacrificar o cachorro, desde o início. A culpa não é do cão, e sim de quem o treinou, mas ele é pessimista: o racismo, o ódio sem motivo não pode ser contornado. Mas ele observa com enorme carinho a coragem de Keys e Julie. Sabe que eles querem mudar o comportamento do cachorro mais do que por amor ao animal. É a coisa certa a se fazer, e ponto.

Não é o melhor filme de Fuller, nem o mais conhecido, mas é o mais discutido. E nele há exemplos perfeitos da habilidade do diretor: o enquadramento que mostra o cão e um garoto negro andando pela rua, por exemplo, é um momento aterrorizante, como vários outros do filme. 

Cão Branco só erra ao exagerar nas habilidades do bicho, que é muito mais ninja do que deveria ser. Mas é um erro perdoável diante do momento genial em que conhecemos o homem que treinou o cão. Um momento forte, inesquecível que nos lembra da genialidade de quem está no comando.

NOTA: 8

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