W.


Oliver Stone poderia ter esperado um pouco para realizar este W., que buscando fazer uma cine-biografia do querido George W. Bush, acaba fazendo um filme incompleto, apesar de seus vários méritos. Assim como Michael Moore fez no início de Fahrenheit 11 de Setembro, Stone consegue a proeza de humanizar a figura de Bushinho a ponto de ele se mostrar uma figura trágica, quase digna de respeito, mesmo que o filme esteja carregado de críticas e humor corrosivo.

O roteiro pode ser clichê na estrutura, que acompanha a trajetória política de Bush depois do 11 de setembro (principalmente nos preparativos para a guerra no Iraque) enquanto nos mostra o seu passado em flashbacks, mas o tom acertado nos diálogos, que soam convincentes e sinceros tornam a experiência muito mais rica, e nos melhores momentos, pode até ser comparado com A Rainha. Em especial, a relação entre Bush e seu pai, que é o que filme melhor desenvolve, principalmente o momento em que o pai de Bush perde a reeleição que, de longe, é a melhor cena.

Josh Brolin faz uma atuação absolutamente magnífica como George W. Bush, fugindo de qualquer estereótipo que o papel poderia apresentar. Richard Dreyfus, James Cromwell, Jeffrey Wright e  Toby Jones também dão um show em suas performances, enquanto Elizabeth Banks e Ellen Burstyn são limitadas demais pelo roteiro a meras coadjuvantes. Mas o destaque vai para Thandie Newton, numa das atuações mais patéticas e escrotas dos últimos anos (embora sendo bem justo: sua péssima atuação causa uma repulsa similar a que Condoleezza Rice também causa...).

Mas o que faz de W. uma experiência acima da média é a maneira clara de como Oliver Stone mostra sua visão sobre o governo de Bush: abusando de seu poder e utilizando a religião como princípio chave de seus argumentos, o diretor ainda cria uma curiosa sequência de eventos com a história do presidente, como se ele tivesse chegado ao cargo mais importante dos Estados Unidos apenas para superar seu irmão, e surpreender seu pai (o que, diga-se de passagem, é bem possível). E o que o roteiro de Stanley Weiser tem de melhor é justamente este desenvolvimento, que surge claro e lógico, e nunca forçado.

Apesar de decepcionar pela ausência de temas importantes (o furacão Katrina merecia pelo menos algum momento) e por ter sido feito antes do final do mandato de Bush imediatamente tornou o filme datado e incompleto, por outro lado é um estudo de personagem divertido e curioso que merece atenção. 

NOTA: 7,5

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