Você vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos


Woody Allen nesta última década apresentou uma irregularidade constante em sua carreira. Para cada Vicky Cristina Barcelona, Tudo Pode Dar Certo ou Match Point, lançou também o terrível Scoop - O Grande Furo e o preguiçoso O Sonho de Cassandra, e agora este Você vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, que é o seu pior trabalho. Talvez o pior filme de toda a sua carreira.

A trama é uma bobagem, uma série de cenas aleatórias sobre uma família que enfrenta divórcios, infidelidades e decepções. Com um roteiro preguiçoso e desconexo, Allen desperdiça um elenco soberbo, que se esforça tanto para conferir alguma qualidade ao filme, que chega a ser triste. Anthony Hopkins claramente tenta emular o estilo de atuação do diretor, e se sairia bem se seus diálogos não beirassem o patético. Naomi Watts e Antonio Banderas tem o trecho mais interessantinho, e se safam com isso, enquanto Josh Brolin é colocado no meio de clichês mais do que irritantes (uma muher que só usa vermelho? Sério isso, Woody Allen?), mas é o que se sai melhor ao criar alguma profundidade dramática ao personagem: reparem no momento em que ele sai bêbado de casa com a camisa aberta, até se deparar com sua vizinha e seu noivo: sua vulnerabilidade fica explícita na maneira como fecha sua camisa.

Se mesmo em seus trabalhos mais fracos ainda há as boas tiradas frequentes no roteiro, aqui o número de boas piadas pode ser contado nos dedos. De uma mão. E se não bastasse isso, a montagem simplesmente preguiçosa, parece não fazer a menor questão de criar um ritmo para a história. Se Walter Murch sugere que o tempo para o corte seja o do piscar dos olhos, aqui usaram o de bocejos.

E para piorar, Woody Allen ainda utiliza uma narração em off desnecessária que dispara frases de Shakespeare e bordões populares, como se tentasse fazer que alguma coisa fizesse sentido. Na melhor das hipóteses, Você vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos talvez seja bem resumido pela frase de Shakespeare: "A vida é feita de som e fúria, que no final não significa nada.", com o claro problema de que o "som e fúria" do filme é uma infinidade de piadas sem graça e bocejos.

NOTA: 1

4 comentários:

James Lee disse...

Ixe Tiago, vou ver o filme neste domingo...Enfim, vou ver o que me aguarda...

jpviana disse...

Você não entendeu nada, apesar de perceber o aleatório e o desconexo, já é um início...

Tiago Lipka disse...

Putz, deve ter sido isso mesmo. Desculpa, vou rever, entender e daí gostar do filme.

Anônimo disse...

um crítico tb deve aceitar críticas ;) achei que acima foi irônico com a moça, por não ter aceitado bem a crítica.

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