Tron - O Legado


Aconteceu o mais lógico: Tron - O Legado é tão bom quanto Tron - Uma Odisséia Eletrônica. O complicado é interpretar isso, já que numa onda esquisita de nostalgia, muitos tem visto no primeiro Tron uma espécie de obra-prima esquecida, mal compreendida. Não é. É um filme criativo e divertido, mas que não envelheceu nada bem, e tem um roteiro fraquíssimo. Essa continuação segue nessa linha, com o roteiro mais do que decepcionante, e as cenas de ação criativas. O que compensa dessa vez, obviamente é o visual fabuloso, que merece sim ser conferido em 3D. 

Grande parte do problema aqui é do diretor Joseph Kosinski, que havia feito apenas comerciais antes. A condução da narrativa é patética, quase desastrosa, e a primeira parte do filme que acontece no "mundo real" é particularmente constrangedora. O que ele faz bem são as cenas de ação, que acabam tomando conta do filme depois da metade, e salvam (mesmo) a produção. Muitos tem elogiado o diretor pela cenografia "porque ele é arquiteto". Para esse argumento, duas coisas: 1) isso é o mesmo que dizer que Ratatouille seria feito melhor por um cozinheiro e 2) o fato de ele ser arquiteto só serve para uma coisa no filme: reparem que sempre tem um personagem que elogia o cenário. E outra parte da culpa vai para o roteirista Steven Lisberger, que não por acaso, é o diretor do primeiro filme.

Contando com uma trilha sonora excelente do Daft Punk (não sou fã, mas funciona com perfeição aqui), Tron - O Legado também consegue ser salvo graças as atuações: Jeff Bridges se diverte horrores, e faz de seu personagem quase um Jack Sparrow. Michael Sheen impressiona com uma vitalidade que ainda não havia mostrado e Olivia Wilde se mostra a mais grata surpresa: bela e expressiva, sua presença é o que o filme tem de melhor. Já o protagonista Garrett Hedlund faz uma das atuações mais inexpressivas e preguiçosas do ano (e ele já havia mostrado talento, principalmente no ótimo Quatro Irmãos).

Mas o curioso é que mesmo com todos os seus problemas evidentes, Tron - O Legado é inegavelmente divertido, e de um modo estranho, funciona. Mesmo que me dê uma sensação de que se for revisto causará bocejos, o fato é que me diverti e não me arrependi de ter assistido. 

Só não fiquei tão satisfeito quanto imaginei.

NOTA: 7

9 comentários:

Robson Saldanha disse...

Verei hoje. Sem falta! Curioso!

Rafael Moreira disse...

Pô, ainda não vi o primeiro filme, pretendia ver O Legado hoje, mas não deu. Verei em breve, sem nenhuma expectativa

Lomyne disse...

Eu concordo, eu concordo! a gente tá concordando sobre um filme! #epicwin \o/

Hoffmann disse...

Então eu não vi o mesmo filme que você. Já disse uma vez e digo de novo: a imprensa especializada está subestimando o filme, tal qual fizeram com The Matrix. E não foi por mero acaso que o filme dos irmãos Wachowski gerou diversas teorias filosóficas.
Tron Legacy reabre o tópico, só que na contra-mão do argumento de The Matrix. Há muito mais a ser discutido ali do que um draminha familiar. E ainda vai dar pano pra manga…
De resto, a Disney vai encher o fiantã de grana com mais uma franquia. Mas como eu também sou um nerd consumista, quero encher minhas prateleiras de miniaturas!

Tiago Lipka disse...

Hoffmann, eu não faço parte da imprensa especializada, e até onde vejo, é o PÚBLICO que está reclamando mais do filme (basta notar que as bilheterias ficaram longe do esperado).

Quanto ao debate temático que o filme apresenta... sinceramente... horse shit... mas funciona bem no filme (embora eu não entenda como os seres vivos que surgem na Grade mudariam filosofia e religião, como é dito no filme)

o/

Hoffmann disse...

Thiago, o público é burro demais pra saber sobre o que é o filme. Tem gente que ainda não entendeu o District 9… Eu falo do filme em si. O público que se dane! Eles gostam do que a Globo enfiar na goela deles.

Quanto à sua dúvida, imagine que você é um programador. Certo dia você cria um ambiente virtual, totalmente digital (e não meramente conceitual). E você, de alguma forma, transfere sua consciência para este ambiente programado, frio e estéril. E lá pelas tantas aparece alguém que você não desenhou, não programou e não faz a mínima idéia de quem é. Você chega e cumprimenta essa pessoa. Ela te corresponde.Ótimo! É inteligente! Você pergunta "Quem é você?" e essa responde "Não sei." - "De onde você veio?" e ela "Eu nasci aqui."
Deus in machina? Nós somos Deus? Phillip K. Dick estava certo? Então a realidade é uma simulação computadorizada? O que é real?

Vamos lá, rapaz! Free your mind! When you lose small mind, you free your life!

XD

Wally disse...

Para entrar nesta tal "diversão", pretendo ver o filme no cinema para aproveitar as qualidades que parecem ser evidentes.

annastesia disse...

Gostei mas não adorei. Muita cobertura pra pouco recheio. Bridges reencarnado The Dude(?) e Daft Punk arrasando na telona. Elenco fraaaco (Hedlund carisma zero!), boas cenas de ação, mas que não sustentam o restante do filme. O que ficou faltando no filme de 1982 (que gosto muito), continua faltando nesse de 2010. Pelo menos naquela época, lightbikes eram o supra sumo da novidade. Hoje em dia, CGI já é quase coisa do passado.

Barmen disse...

Também achei a história fraca, mas algo me cativou, não sei se foram os belos cenários e trilhas sonoras ou a ideia em si de outro mundo e outra raça mais inteligente criados pelo ser humano.

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