Trabalho Sujo


Trabalho Sujo foi lançado em 2008, e parte de seu atraso provavelmente vem do fato do filme ter sido completamente ignorado quando foi lançado. E apesar de ser um bom trabalho, de certa forma merece esse descaso, em parte pela maneira quase descarada de como tenta se aproveitar do sucesso de Pequena Miss Sunshine: Alan Arkin interpreta um avô que é praticamente o mesmo personagem daquele filme; o visual e trilha sonora são similares (troque a Kombi amarela por uma van); e, a mais óbvia, o título original, Sunshine Cleaning. É o tipo de desonestidade que funciona como um tiro no próprio pé.

Mas o fato é que, no que tem de original, o filme de Christine Jeffs é interessante e funciona bem, especialmente a relação entre as irmãs que, interpretadas por Amy Adams e Emily Blunt (duas das atrizes jovens mais belas e talentosas na atualidade) transformam qualquer diálogo e qualquer cena em um momento gracioso. E se Alan Arkin se limita a trazer os trejeitos de Pequena Miss Sunshine de volta (o que funciona), Jason Spevack faz um ótimo trabalho, ao passo que Steve Zahn, que ganhou minha atenção e respeito depois de O Sobrevivente, consegue a proeza de fazer um personagem desprezível, e que até o filme se sente no direito de julgar, e de alguma forma chega ao fim intocável.

A história das irmãs que resolvem abrir um serviço de limpeza de cenas de crime é divertida quando se foca na natureza bizarra do trabalho das duas, mas o roteiro parece não confiar nisso o bastante, e enche o filme de informações desnecessárias. Mas mesmo com sua parcela de problemas, Trabalho Sujo acaba funcionando bem no ato final, quando se livra de algumas sub-tramas desnecessárias (especialmente a de Emily Blunt com a filha de uma mulher falecida) e se concentra apenas na relação entre os membros daquela família.

Com mais originalidade, e menos enrolação, seria um grande filme.

NOTA: 7,5

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