Ondine


Ondine é um mistério: a fotografia está excelente, os atores estão ótimos, a trilha sonora é fabulosa, o roteiro e direção são de Neil Jordan, e ainda assim, o resultado é um filme fraco, esquecível. Os problemas, na verdade, são dois: apesar do roteiro ter ótimos momentos, a história como um todo não convence, e é cheia de furos de lógica, e pela primeira vez, Jordan faz um filme burocrático, sem qualquer resquício de imaginação que transformou Nó na Garganta, Fim de Caso ou Café da Manhã em Plutão em filmes fabulosos.

Syracuse (Colin Farrell) é um pescador que depois de puxar as redes de seu barco, encontra uma garota nela, que se apresenta como Ondine (Alicja Bachleda). Depois que sua filha descobre dessa história, ela imediatamente passa a acreditar que Ondine é, na verdade, uma sereia, enquanto Syracuse continua tentando obter a guarda da filha que precisa de um transplante de rim, e é mal cuidada pela mãe (ele não conseguiu a guarda por ter sido alcoólatra).

Flertando sempre com um tom de fábula, e jamais dando a certeza de estarmos vendo algo real ou fantástico (que é a melhor característica do filme), Ondine tem bons elementos de sobra, como o tom sensual que a personagem acaba despertando, e Alicja Bachleda não se mostra apenas uma boa atriz, com ótima presença em cena, como também é lindíssima. Mas o filme, simplesmente não decola. A relação entre Syracuse e o resto da cidade é algo citado durante todo o roteiro, mas nunca é explorado, e aliás, no final das contas, nem mesmo a doença de sua filha acaba tendo grande importância na trama, surgindo apenas como uma característica gratuita da personagem para ganhar alguma dramaticidade.

Ator que venho admirando cada vez mais, Colin Farrell faz uma interpretação correta e sutil, e é uma pena que seu personagem não ganhe momentos tão bons quanto os seus diálogos com o padre interpretado por Stephen Rea. Aliás, qualquer diálogo dos dois é melhor que qualquer outra coisa ano filme, que ainda decepciona com um desfecho que revela um roteiro ainda mais frágil do que parecia, quando tenta soar surpreendente.

NOTA: 5

4 comentários:

Rafael Carvalho disse...

De fato Tiago. Também gosto do cinema do Jordan, mas acho que aqui ele mete os pés pelas mãos, num filme que abraça a fantasia quando ela já se mostra um mero pretexto. Assim, o filme não se assume e continua a farsa por mais tempo que devia, constrangendo os personagens.

Pedro Henrique disse...

De meia boca pra baixo, é como classifico Ondine. Derivação direta de Mistério na Ilha, clássico do John Sayles.

annastesia disse...

Achei bem mediano e olha que gosto de Neil Jordan! Será que a mesma coceira anticriativa que deu em Tim Burton também está atacando Jordan?

Anônimo disse...

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