O Último Exorcismo


Apesar de já estar dando sinais de cansaço, os mockumentaries como A Bruxa de Blair, [REC] ou Atividade Paranormal são ótimos exemplos de um gênero que o cinema norte-americano tem perdido cada vez mais a mão ao fazer: o terror. O Último Exorcismo é um filhote assumido destes (chega a citar visualmente [REC] e A Bruxa de Blair), mas curiosamente acaba acertando em pontos que seus anteriores não conseguiram: as atuações e na sua dramaturgia.

O início do filme é fascinante ao nos apresentar o protagonista, o reverendo Cotton Marcus. Treinado por seu pai desde a adolescência para se tornar um representante da igreja, ele começa a apresentar dúvidas quanto ao ritual de exorcismo, e num grau mais profundo, sobre a própria existência de Deus. Ele chama então uma equipe de documentaristas para desmascarar o fenômeno do exorcismo, mostrando como os exorcistas controlam o ambiente e as pessoas para criar um "espetáculo" (o personagem chega a citar O Exorcista como referência). Mas é claro que tudo acaba dando errado e a garota está possuída de verdade...

...mas ainda assim, o filme se sustenta, principalmente pela história da garota e sua família, e principalmente a super proteção do pai, que chegou a retirá-la do catecismo por achar os métodos de ensino "muito liberais". E logo, não demora para que Cotton se sinta obrigado a realizar o exorcismo, já que, ao contrário, o pai da garota não hesitará em matá-la para tirar o diabo de seu corpo.

O Último Exorcismo, portanto, funciona como um drama fascinante sobre a perda da fé do protagonista e o fanatismo religioso da família, e mesmo que seus aspectos mais assustadores não funcionem tão bem, o filme é sempre fascinante graças ao roteiro bem construído, e a montagem, que acerta muito bem no ritmo. E vale dizer que o trabalho do diretor Daniel Stamm é bastante positivo (principalmente na condução do elenco, que está excelente), apesar de em um momento ou outro, acabar escorregando no óbvio.

Mas é uma pena que a linguagem documental do filme atrapalhe completamente seu desfecho, que apesar de teoricamente ser corajoso e inusitado, erra por achar que resolveu a história, quando pelo contrário, apenas criou apenas mais uma camada nela, que certamente irá frustrar o público pela não-resolução.

NOTA: 7,5

2 comentários:

Anônimo disse...

Não entendi direito, mas você disse que [REC] é norte-americano?

Tiago Lipka disse...

Não, apenas citei ele com outros filmes do mesmo gênero, mas entendi a dúvida.

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