O Pior Trabalho do Mundo


Spin-off de Ressaca de Amor, O Pior Trabalho do Mundo não tem nem de perto o charme daquela produção, mas se sustenta bem, graças ao talento dos envolvidos. Talvez o mais curioso seja que Aldous Snow (Russell Brand) foi o personagem que menos me interessou no primeiro filme, mas aqui ele não tem qualquer dificuldade em se tornar um protagonista divertido carismático.

No filme, acompanhamos Aaron Green (Jonah Hill), um jovem que trabalha numa gravadora e ganha o desafio de resgatar a carreira de Aldous, que se encontra em declínio depois de um disco inacreditavelmente ruim (African Child) e um divórcio complicado. A idéia é fazer uma comemoração do maior show de sua banda Infant Sorrow no Greek Theatre em Los Angeles. Para isso, Aaron terá que passar três dias com Aldous, evitando que ele se drogue demais, ou cometa algum outro fiasco que comprometa as vendas dos ingressos.

Jonah Hill e Russell Brand já haviam mostrado uma boa química em Ressaca de Amor, e aqui repetem a experiência com êxito. Brand pode até estar praticamente atuando como uma caricatura de si mesmo (o que não é demérito aqui, já que funciona), mas é Jonah Hill quem arranca as melhores gargalhadas, especialmente na técnica improvisada de tirar as drogas de Aldous no carro, e principalmente, quando começa a sofrer as sequelas de ter tomado adrenalina.

Aliás, é nas performances que O Pior Trabalho do Mundo mostra o que tem de melhor, já que até Sean Combs (o Puff Daddy) se mostra uma agradável surpresa, e Rose Byrne surpreende com sua Jackie Q., a ex-mulher do protagonista, e faz a personagem mais intrigante do filme: não por sua complexidade mas, porque Russell Brand é casado com Kate Perry, e Jackie Q. é claramente uma sátira não muito gentil com cantoras desse estilo.

Apesar de suas qualidades, o filme fracassa em sua principal ambição, que era obviamente a de fazer uma crítica ao tratamento exagerado que as celebridades recebem, e a óbvia participação das gravadoras no processo de auto-destruição de alguns deles. O problema não é como isso é colocado no filme, mas que surge tarde demais, e assim, ao invés de se concluir, o filme parece se enrolar no final. Nada muito grave para que não possa ser recomendado.

Até porque a cena que envolve uma droga chamada Jeffrey é uma das mais engraçadas e surreais desse ano.

NOTA: 7

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