Mother - A Busca Pela Verdade


Mother - A Busca Pela Verdade é mais uma prova de que Joon-ho Bong em apenas 10 anos de carreira, e quatro longa-metragens (sem incluir Tokyo, co-dirigido com Michel Gondry e Leos Carax) já pode ser considerado um dos melhores e mais importantes diretores do cinema mundial. Novamente fazendo um filme de gênero completamente diferente, em comum com seus trabalhos anteriores apenas o estilo visual invejável e um equilíbrio formidável de humor e drama.

O filme nos apresenta a Hye-ja, mãe trabalhadora de Do-joon, um jovem com deficiência mental e extremamente dependente dos cuidados da mãe. Depois de passar uma noite fora de casa, no outro dia ele é acusado do brutal assassinato de uma jovem. Com a certeza da inocência do filho, Hye-ja começa a investigar melhor o caso, já que a polícia da pequena cidade que há tempos sequer via um  homicídio deu o caso por encerrado com as poucas provas que conseguiu.

Original desde a abertura que mostra Hye-ja dançando de maneira hilária, Mother mostra o talento de Joon-ho Bong em surpreender em todos os níveis: desde a condução da narrativa, que mistura cenas engraçadíssimas com outras extremamente dramáticas, o filme brinca com o emocional do público a todo momento, e além disso, a trama de Mother constantemente se mostra muito mais complexa e dramática do que realmente parecia de início, além de abrir vários espaços para a crítica social que é recorrente na obra do diretor (vide O Hospedeiro).

Brincando com o gênero suspense de maneira brilhante (o recado de celular que revela uma propaganda de artigos de pesca ao final é minha piada favorita), o roteiro não apenas constrói a situação de maneira brilhante, como também apresenta um arco dramático mais do que fabuloso para Hye-ja, que é interpretada por Kim Hye-ja com uma entrega surpreendente. Merecia todos os prêmios da categoria.

Fechando o filme com uma das ironias dramáticas mais eficazes vistas nesse ano, Mother - A Busca Pela Verdade é um raro caso de filme que já nasce clássico e obrigatório para qualquer cinéfilo que se preze. Corajoso e brilhante em seu desfecho forte, que apresenta alguns dos dilemas morais mais complicados a surgirem nesse ano, Mother é mais uma obra-prima de Joon-ho Bong, e se une a o também excelente O Caçador como provas de que o cinema oriental esse ano foi mais do que bem sucedido ao surpreender nossas expectativas.

E só posso dizer que aguardo mais do que ansiosamente seu próximo trabalho.

NOTA: 10

4 comentários:

James Lee disse...

Não tem quem não tenha gostado deste filme. Preciso ver, com urgência!

Rafael Carvalho disse...

O que eu acho incrível nesse filme é como a história, inicialmente com um argumento tão batido (mãe tentando provar inocência do filho), consegue desvirtuar todos os lugares-comuns do(s) gênero(s), conseguindo surpreender a cada momento, com personagens sempre ricos em nuances. Sem falar na direção certeira do Bong, grande diretor, e na atuação magistral de Kim Hey-ja, desde já a melhor do ano.

Aliás, o filme está no topo de melhores de 2010 para mim.

Pedro Henrique disse...

Filmaço! Um dos melhores do ano!

annastesia disse...

Fantástico constatar que um dos melhores filmes do ano não vem do mercenarismo dos blockbusters americanos ou do pseudo-intelectualismo europeu.

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